6 de janeiro de 2008

NO POSTE O POEMA

Poesia no poste
E o espinho d’água no ar
Ignorância e sede de saber
Existe uma necessidade.
A necessidade de se sentir vivo, de existir,
De se comunicar, de fazer alguma coisa, sei lá eu
Simplesmente é estranho ver e sentir tanta vontade de se expressar
E só existirem coisas para se vender, nos sendo empurradas goela abaixo nos postes, nas ruas, outdoors, cartazes, faixas e painéis
Por essas ruas onde passamos quase todos os dias de nossas vidas
Nada para se vender ou comprar; nada para querer ou desprezar
Apenas mais uma voz a gritar que não estamos sozinhos
Nós: os desprezados, os perdidos, abandonados, desesperançados
Sem dinheiro nem ideais, sem rumo nem amor
Sem nada, mas desejando as estrelas, admirando o firmamento
Tentando sobreviver em meio a esse caos dos dias de hoje

Já se perguntou qual o sentido da vida?
Já achou que sua vida não tinha rumo certo?
Já se perguntou por que estamos aqui?
É claro que já
Já se fez essas e muitas outras perguntas
Mas, já chegou a alguma conclusão, a alguma resposta lógica?
Eu não.

Vale a pena viver a vida que vivemos?
Assim, desse jeito, meio desajeitadamente; sem saber pra onde ir, o que querer; querendo o que os outros dizem que temos que querer, sonhando sonhos alheios, e impossíveis.
Vale a pena não viver a vida que realmente queríamos viver?
Fazer o que nos dá prazer e satisfação; que não nos cansa e sim nos revigora; aquilo que faz com que nos sintamos úteis e realizados.

Somos seres jogados nesse mundão sem fim, e se acabando
Somos os desacreditados; desacreditados por eles
Eles quem?
Escolha quem são eles
Eles que não nos escutam
Eles que não se importam conosco
Eles que nos subestimam
Eles que tentam nos impedir de evoluir, de sermos melhores
Eles, os preconceituosos, os racistas, os canalhas, os que detêm aquilo que não merecem
Eles que não são como nós
Mesmo que nós não saibamos ao certos quem somos nós

Não há nada de novo debaixo do sol, só o próprio sol cada vez mais quente, queimando tudo que estiver sob ele.
Não há novidades desconhecidas para serem contadas. Mas as mesmas velharias não nos interessam mais.
Não há muita coisa para ser dita
Mas uma coisa que precisa ser dita, mesmo que essa coisa já seja sabia por todos:
Não é preciso ser poeta para fazer poesia
Não é preciso ser músico para fazer música
Não é preciso é preciso ser artista pra fazer arte
Para fazer tudo basta estar vivo e ter alguma mínima disposição

Estar vivo não é apenas comer, dormir e respirar
É mais do que isso
É sonhar o sonho realizável
É não se vender
É não achar que todo mundo tem um preço
É não ser alienado
É não querer o que não tem valor
É valorizar aquilo, e aqueles, que realmente deve ser valorizado
É ter alguma coisa inexplicável dentro de si
É crer que é possível, sim é possível, é possível, é possível…
É entender que ser é mais do que ter
Ser e não ter
Ser, ser sempre.
Seja.
Tenha consciência do que é ser
Ter, não
Ser, sim
Seja feliz

Vai
Vai ser feliz
Invente um significado para a felicidade e vá atrás dela
Como diria o poeta Drummond: vai ser gauche na vida!
Vai ser diferente
Vá ser o contraponto
Contrarie as estatísticas
Dê a sua própria versão para a sua história
Faça sua voz ser ouvida e ouça as vozes que têm algo de útil para dizer

Vá e não olhe pra trás
Tente fazer parte da solução, e não do problema
Nunca é tarde para dizer que ainda é cedo
Nunca é tarde
Não queira o que eles querem que você queira
Não seja o que eles querem que você seja

Faça e consuma poesia
Faça e consuma literatura
Faça e consuma música
Faça e consuma filmes
Faça e consuma arte
Faça e consuma amor

Faça a sua parte!

2 comentários:

Ana disse...

eu vi. um pedaço de papel no poste. que não vendia nada.

Anônimo disse...

os canalhas!!!!
todos canalhas.SOMOS CANALHAS TAMBÉM. A ÚNICA COISA QUE FAZEMOS É FUSTIGAR OS OUTROS, SEMPRE MOLESTANDO OS OUTROS..
também vi no poste.. li suas palavras.
morga.