30 de setembro de 2007

UM GRANDE TEATRO

A vida é um grande teatro, o problema é que os papéis estão mal distribuídos” já disse Oscar Wilde.
É, eu concordo, quase nenhum de nós se satisfaz com a farsa que é obrigado a encenar. Eu mesmo, quantas vezes me olho no espelho, me encaro por dentro e não entendo por que as coisas são como são. Quem disse que tudo porque passamos, o quanto sofremos, as injustiças que presenciamos são necessárias, inevitáveis. O sofrimento parece o destino comum para a maioria de nós; por que?
Quantas vezes o desonesto, o trapaceiro, o vil, o descarado consegue prevalecer, ter vantagem e levar a melhor, enquanto aqueles que procuram caminhar pelo caminho mais longo, porém honesto, que não querem enganar nem passar ninguém para trás é prejudicado e fracassa. É duro ver essas coisas acontecendo e se sentir, ou incapaz, ou impedido de fazer alguma coisa.
A revolta e o desgosto são tão grandes, às vezes, que o estômago até dói e se contorce. Daí vem a pergunta: as coisas vão mudar algum dia?
A gente escuta de alguns que sim, as coisas vão mudar. Que a gente não pode desistir nem esmorecer; mas o que a gente acaba constatando é que a vida, na maioria das vezes, acaba se resumindo numa tediosa, e dolorosa, cadeia de repetições desastrosas e negativas.
Mas, e daí?, vai se entregar?
Vai desistir? Vai pedir arrego?
Vai dar a vitória ao inimigo?
Quer ouvir um conselho?: só de birra, seja uma boa pessoa; seja honesto, seja cordial e limpo. Não use drogas, não se venda por migalhas e não compre as ilusões que lhe querem vender.
Mesmo se não der em nada, ao menos você pode se gabar de não ter sido medíocre como a maioria das pessoas.

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