7 de abril de 2015

O BRASIL NAS ENTRELINHAS



Texto de Kiko Zampieri

Não poderia existir frase melhor para diagnosticar nós, os brasileiros, do que essa frase de Renato Russo, na música “Índios”. E que deveria ser decorada, ensinada nas escolas, cantada como Hino ou ser tema de chamada dos três “B”.
Afinal, a nossa desgraça começou quando aquele simples brasileiro recebeu um espelho de presente em troca da sua liberdade, dignidade e sobrevivência. E desde então continuamos a trocá-las por meros espelhos, hoje disfarçados em monitores, espelhos d’águas, letras manipuladas e, principalmente, pelo cinismo político e democrático.
Quem teria coragem de ensinar uma criança ou um jovem estudante, que fomos enganados por desterrados lusitanos no exato momento em que chegaram em nossa terra.
Trocando espelhos e miçangas por ouro, pau-brasil e terras, muitas terras e vagarosamente sendo escravizados ou assassinados ou até pior, aprendendo uma nova religião, para que ficassem amenos e, pasmem, mais civilizados.
Quem teria coragem de ensinar que Padre Antonio Vieira, com sua oratória e retóricas, mobilizassem o povo contra uma cultura melhor e mais promissora. Os holandeses.
Quem teria coragem de ensinar que Tiradentes foi iludido com promessas de comando do novo exército de Minas Gerais e para isso teria que assumir que era o mentor da busca da liberdade. Liberdade ainda que tardia, é o lema usado para louvar um bando de senhores feudais mineiros, que junto a elite literária encabeçada por Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manuel da Nóbrega, que se tornaram famosos em suas prisões e exílios, e o grande Visconde de Barbacena, que, pasmem novamente, queria ser o Rei do Brasil, todos manipularam um pobre alferes (tenente) do exército com promessas infundáveis, mas ao mesmo tempo principescas, que acabou como realmente deveria acabar. Um pobre coitado na forca. Qualquer semelhança com fatos e pessoas, atualmente, NÃO é mera coincidência.
Pior que tudo isso era ensinar a esses estudantes que nossa libertação foi feita por um homem defecando e gritando na beira do Rio Ipiranga, patético, mas verdadeiro.

A partir daí, deixo que seu Cognitivo o leve para onde você MEREÇA.

Um comentário:

Maria Helena Alves disse...

Parabéns!!!! Muito bom!!!