25 de dezembro de 2010
O QUE REALMENTE IMPORTA SABER
O importante é saber se a alma não se contaminou
com esse ódio imensurável e inconseqüente.
O importante é saber se a alma da gente ainda é da gente.
O importante é saber se a alma sobreviverá.
Saber se esse bruto espírito ainda olha para si próprio.
Saber se ela está pronta para o que ainda virá.
O importante é saber se alma deixará para si algum espólio.
O importante é saber se a alma ainda se emociona diante do belo.
O importante é saber se essa essência não é mais só o farelo
de algo que não pode mais se recompor ou ser substituído.
O importante é saber se a alma, à tudo isso, tem sobrevivido.
É importante ver dentro de si o que ninguém consegue ver por fora.
O que não é carne, nem nervo, nem osso, nem algum tipo de fluido.
Aquele que é o bem mais precioso e que à custo e aos poucos se aflora.
Aquele que é o único império que não podemos deixar ser destruído.
E à despeito do que os vermes possam achar óbvio,
a alma de cada pessoa não é apenas um divino óbolo.
31 de outubro de 2010
12 de setembro de 2010
O CONFLITO E A DÚVIDA
O que é a vida? Para que ela serve? Qual o seu propósito? Dúvidas, incertezas e imprecisões são tudo o que temos como resposta. Seria a felicidade a resposta para essa pergunta? Vivemos para sermos felizes, ou para buscarmos a felicidade? A pergunta, portanto, deveria ser outra: O que é a felicidade? Muitas são as definições de felicidade. Felicidade é quando o ser humano se encontra num estado físico e mental totalmente tomado pelo prazer e pela satisfação plena. Mas por quanto tempo é possível alguém se manter neste estado? A felicidade é como a paixão: momentânea. A felicidade, e ser feliz, como as pessoas idealizam, é natural e logicamente impossível e inacreditável. Existem sim momentos felizes. Se fosse necessário definir o ser humano em uma única palavra, certamente essa palavra seria CONFLITO. A dúvida é o conflito entre a verdade imprecisa e a mentira sedutora. Ser feliz, ser amado, ser bem sucedido, ser reconhecido. Qual o real significado desses conceitos subjetivos? Logo nos deparamos com nossa segunda e natural essência: a DÚVIDA. O conflito e a dúvida são o fermento do espírito. O pensamento humano é movido pelos conflitos gerados por todas as nossas dúvidas. Portanto, aí vai um esboço de resposta às intermitentes perguntas:
– Para que ela serve? Qual seu propósito?
– A vida serve para ser vivida. Acordamos, dormimos, comemos, bebemos, amamos, odiamos, choramos, sorrimos, duvidamos e nos certificamos de que nada sabemos sobre nós mesmos. Vivemos para incessantemente buscar essa tal de felicidade, que nem sabemos se ela realmente existe.
– O que é a vida?
– A vida é um complexo universo de conflitos e dúvidas que nos move adiante, que nos faz buscar no amor, em deus, na ciência, nos outros e em nós mesmos, algum alento e força. A vida é justamente uma pergunta sem resposta; e quer melhor exemplo de dúvida e conflito do que uma pergunta que nunca conseguimos responder com precisão e lógica?
11 de agosto de 2010
AOS APRESSADOS
Aos apressados, que correm, se atropelam
que fazem de tudo para chegar à tempo
Aos apressados, que por serem apressados
chegam sempre atrasados
Aos apressados que se acotovelam e se ofendem
nos vagões de trem, no interior dos ônibus,
nas filas de banco, nas ruas e avenidas
Aos apressados que vêem a vida passar apressadamente
que brigam e se matam por migalhas
que estão sempre cansados (meus deus, que cansaço é esse?!)
Aos apressados mal educados, mal amados
maus seres humanos; apressados cretinos!!
Aos apressados que se alimentam mal
que nunca têm um tempo para si mesmos
que estão sempre a duzentos por hora, sem tempo à perder
Aos apressados, bastardos; medíocres!!
nunca chegarão na hora, nunca descansarão, nem quando morrerem
Apressados mentirosos, enganadores
que prometem o que sabem que não podem cumprir
que nunca têm nada a oferecer, mas sempre pedem algo
Aos apressados que não lerão esses versos
eles não têm tempo nem memória, nunca lembram das coisas
Aos apressados, vos digo: bon voyage!
1 de agosto de 2010
FAZER 30 ANOS
De Affonso Romano de Sant’Anna
Quatro pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.
Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.
Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.
Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.
Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.
Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.
Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.
Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.
Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar
21 de julho de 2010
SERES INVISÍVEIS (Conto)
O calçadão tinha o calçamento irregular; algumas grades do bueiro, que ficava no meio da rua para facilitar o escoamento das águas da chuva, estavam quebradas, o que forçava os transeuntes a desviar o seu caminho. Parado debaixo do sol um homem de camisa social branca, de manga cumprida, gravata preta mal arrumada num colarinho que apertava-lhe o pescoço gordo, de calça marrom e sapato preto surrado, segurava numa da mãos uma bíblia aberta mais gasta que sua roupa; exaltado, gritava algumas vezes e suava em bicas; o dedo em riste, vez por outra a mão espalmada no ar em tom de advertência; os olhos esbugalhados. Ele estava tomado pelo que dizia. Pregava o evangelho para quem não queria ouvir, alguns passavam e riam, outros torciam a cara. O homem falava com ardor sobre o juízo final, citava o Apocalipse, sempre o Apocalipse, nunca um desses fanáticos citava o Gênesis ou o Levítico. Declamava o salmo 91 (Meu refúgio, minha fortaleza, meu deus, em quem confio), o 23 (O senhor é meu pastor e nada me faltará); e mesmo sendo ignorado, o homem continuava a profetizar a palavra de deus. Nada abalava sua fé, nada. Ali era fé demais.
O julgamento final está próximo, dizia o homem, ainda há tempo, aceite a Jesus; Deus não escolhe os preparados, ele prepara os escolhidos. Monologava aos ventos poluídos enquanto os ouvidos que passavam não lhe davam atenção. Ih, tio, não perde seu tempo não, o fim do mundo já passou e ninguém se salvou, já tamo no inferno, sem segunda chamada, gritou um office-boy que passava pela rua.
Nas esquinas, todo tipo de deformação; gente sem perna, braço, olho, dedos; pés e braços atrofiados, mulheres sujas com crianças no colo, todos pedindo esmola, usando o mesmo discurso auto-comiserativo, usando deus, ganhando um trocado, sobrevivendo cada qual a seu modo. Eu não dou esmolas; não tenho pena de ninguém.
Tinha de tudo, até um cara que fedia a carne podre e que vivia perambulando pelas ruas distribuindo copias borradas de manchetes de jornal da década de setenta que falavam sobre Bezerra da Silva e ia repetindo freneticamente, em meio tom de voz “Bezerra, malandro é Bezerra, olha o Bezerrão aí, Bezerra é o cara”. E até um outro que chegou e foi logo dizendo “Eu não vou mentir, dizer que vou tomar um café; eu tô pedindo cinquenta centavos mas é pra tomar é pinga mesmo”, era sincero, talvez por isso ninguém lhe dava o trocado que pedia.
1 de julho de 2010
20 ANOS

Foi assim na década de 80, toda influenciada pelos anos 60; todos os artistas que surgiam, e os que permaneceram, eram fruto daquela década.





26 de junho de 2010
AMOR NÃO SE PEDE
20 de junho de 2010
SARAMAGO

O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir."

11 de junho de 2010
DUO VOX
Recorta a singular inquietação
no reconfortante amparo amoroso.
Mãos afáveis aliviam o fervilhar
de pensamentos e angústias;
Carícias espontâneas e doces são experimentadas.
Vocábulos amorosos são rogados com uma ânsia febril.
O tempo é descartado e esquecido;
A calma, fragilmente, reina
e o leito serenar envolve o duplo serpentear de corpos.
A dormência que a volúpia semeia entre os amantes
iguala-se ao entorpecente aflorar de sentimentos
quase desconhecidos e intocados.
E nada mais importa;
A vida, nesse momento, explica-se.
Foge a razão e a dúvida
não mais perturba o coração amargurado.
A simplicidade fortifica-se e tudo, enfim,
torna-se mais compreensível e aceitável.
6 de junho de 2010
FRASES
"Quem olha pra fora, sonha; quem olha pra dentro, desperta" (Carl Young)
"Cuidado... ao dizer alguma coisa, cuide para que suas palavras não sejam piores que o seu silêncio"
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas imcomparáveis" (Fernando Pessoa)
"Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes"
"Não procure felicidade dentro de outro ser humano e sim dentro do seu próprio coração. Muitas vezes ela está tão perto que não conseguimos enxergá-la, pois o essencial é invisível aos olhos"
"A gente encontra o próprio estilo, quando não consegue fazer as coisas de outramaneira" (Paul Klee)
"O segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas querer sempre o que se faz" (Leon Tolstoi)
"É preciso viver, não apenas exixtir" (Plutarco)
"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos" (Luis de Camões)
"Não devemos tocar numa ferida se não temos com que curá-la" (Ernest Hello)
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os levam muito, mas há os que não levam nada" (Kalil Gibram)
31 de maio de 2010
25 de maio de 2010
O QUE?
O que eu deveria ter dito, mas não disse, por não saber o que dizer, e que poderia ter mudado tudo?
E hoje, ao invés de um "não", talvez tivesse escutado um sim!
O que eu deveria ter feito e não fiz para que tudo desse certo?
E ao invés de uma frustração, eu teria orgulho de mim mesmo por ter feito a coisa certa
O que eu deveria ter pensado?
O que eu deveria ter deixado de fazer para que a coisa não desandasse como desandou?
O que eu deveria ter ouvido que me fizesse mudar de idéia e ter tomado a atitude mais sensata?
O que eu posso fazer agora, para que, daqui pra frente, as coisas possam ser diferentes?
O que eu devo ter como norte a seguir?
O que eu faço com as coisas que tenho e com as lembranças daquilo que perdi?
O que eu serei daqui cinco, dez, vinte anos?
O que eu quero agora, já que nada tenho?
E o que mais eu posso querer?
12 de maio de 2010
7 de maio de 2010
ANDO
Ando cada mais cétido e menos crítico, mais cítrico, porém menos ácido (se é que isso é possível)
Ando perdendo todas as ilusões, todas; toda a ingenuidade, e todas as certezas
Ando perdendo os medos
medo de ficar sozinho;

medo de não conseguir o que quero; medo de querer
medo da morte; medo do próprio medo e dos segredos não-revelados
Ando tendo menos tempo e mais paciência; mais consciência, mais dúvidas e menos pretensão de dissolvê-las
Ando me acostumando a não saber das coisas e de ser surpreendido por minha ignorância.
Ando me acostumando a sofrer calado e rir de mim mesmo

Ando revendo meus conceitos e descobrindo que, na maioria das vezes, melhor mesmo é não ter conceito sobre nada, nem ninguém
Ando querendo menos, e sabendo reconhecer o que ganhei com o tempo e com a vida
Ando percebendo que a vida é indecifrável; uma simples pergunta sem resposta
Ando concluíndo que dois mais dois há tempos deixou de ser quatro, ora é cinco, ora é três, ora é zero...
Ando dando mais graças à Deus
Ando dando mais valor ao silêncio e ao que ele me diz
Ando tentando aprender a conviver com o que me falta
Ando descobrindo que o caminho por ande trilho não tem fim, nunca teve; eu que estive a me iludir esse tempo todo.
15 de abril de 2010
PLATÔNICOS
Esta é a capa:
E este é o link do site onde é possível encontrar meu livro:
Vou criar um link para maiores informações sobre o livro. Por enquanto, o que queria mesmo era compartilhar com todos essa notícia.
até!
10 de abril de 2010
30
E não é que eles chegaram?
Chegaram como quem não quer nada; como algo inevitável.
E o que faço com eles? Com esses 30?
Me pergunto: o que fiz com os 29 anteriores?
O que farei?
Preciso me preocupar em fazer algo?
E o que eles querem que eu faça?
No lo se
3 de abril de 2010
AMOR V
“Oh, sim, parece que ele sim que vem vindo”
“Talvez seja”
“É claro que eu não sei ao certo como ele é”
“Ninguém sabe; eu também não”
“Mas se não for, é algo bem parecido”
“Mas é provável que seja”
“Dizem que ele é assim”
“É, e é sempre do mesmo jeito”
“Dizem que ele chega quando menos se espera”
“É e que ninguém está livre de ser pego por ele”
“Ele tira o sono”
“E o apetite”
“Ele faz palpitar o coração”
“E quase sempre mexe com o juízo”
“Ele transforma defeito em virtude”
“E virtude em divindade”
“Ele faz do mundo um lugar diferente”
“E é, muitas vezes, causador de muitas tragédias”
“Sem ele muitos dizem que não podem viver”
“E em nome dele muitos crimes são cometidos”
“Ele é chamado de sal da terra”
“Ele é um veneno para corações frágeis”
“Sem dúvida que é ele que vem chegando”
“E o que podemos fazer?”
“Como sempre, não podemos fazer nada”
“Mas deve haver algo que possa ser feito”
“E o que poderíamos fazer nós, mente e espírito diante do coração?”
“Sei, somos reféns”
“Triste sina a nossa!”.
24 de março de 2010
AMOR III
Olhos semicerrados, gemidos desejosos
Suspiros dobrados, dúvidas insolúveis
anseios, angústias
prazeres efêmeros
sonhos reais, realidade onírica
saudade imortal e distúrbios morais