“A vida é um grande teatro, o problema é que os papéis estão mal distribuídos” já disse Oscar Wilde.
É, eu concordo, quase nenhum de nós se satisfaz com a farsa que é obrigado a encenar. Eu mesmo, quantas vezes me olho no espelho, me encaro por dentro e não entendo por que as coisas são como são. Quem disse que tudo porque passamos, o quanto sofremos, as injustiças que presenciamos são necessárias, inevitáveis. O sofrimento parece o destino comum para a maioria de nós; por que?
Quantas vezes o desonesto, o trapaceiro, o vil, o descarado consegue prevalecer, ter vantagem e levar a melhor, enquanto aqueles que procuram caminhar pelo caminho mais longo, porém honesto, que não querem enganar nem passar ninguém para trás é prejudicado e fracassa. É duro ver essas coisas acontecendo e se sentir, ou incapaz, ou impedido de fazer alguma coisa.
A revolta e o desgosto são tão grandes, às vezes, que o estômago até dói e se contorce. Daí vem a pergunta: as coisas vão mudar algum dia?
A gente escuta de alguns que sim, as coisas vão mudar. Que a gente não pode desistir nem esmorecer; mas o que a gente acaba constatando é que a vida, na maioria das vezes, acaba se resumindo numa tediosa, e dolorosa, cadeia de repetições desastrosas e negativas.
Mas, e daí?, vai se entregar?
Vai desistir? Vai pedir arrego?
Vai dar a vitória ao inimigo?
Quer ouvir um conselho?: só de birra, seja uma boa pessoa; seja honesto, seja cordial e limpo. Não use drogas, não se venda por migalhas e não compre as ilusões que lhe querem vender.
Mesmo se não der em nada, ao menos você pode se gabar de não ter sido medíocre como a maioria das pessoas.
30 de setembro de 2007
8 de setembro de 2007
ALESSANDRO BUSO, O ESCRITOR SUBURBANO CONVICTO

São Paulo, mais precisamente o extremo leste, Itaim Paulista. Lá fui comprar os livros do escritor Alessandro Buso, e fui recebido pelo próprio escritor, na sua loja Suburbano Convicto.

Ele me recebeu muito bem, é um cara muito gente fina, simpático e educado. Me mostrou várias outras obras de vários outros escritores. Acabei comprando, além dos três livros do Alessandro Buso, O Trem, Contestando a Versão Oficial; Suburbano Convicto e Guerreira, que achei o melhor dos três, acabei comprando dois livros do Ademiro Alves (O Sacolinha), a revista em quadrinhos Os Inimigos Não Mandam Flores, de Ferréz e Alexandre de Maio, o DVD 100% Favela e o CD do grupo Pentágono. Acabou que eu fui realmente comprar todos esses produtos culturais aqui mesmo em Osasco.
Valeu pelo contato com o grande escritor Alessandro Buso e sua obra legítima e de qualidade.
Eu recomendo!!
5 de agosto de 2007
SOMOS SONHOS
Depois de tanto tempo
O tempo parece não importar mais
Tivemos alguns momentos
De um tempo que não voltará atrás
Somos a soma do que vivemos
Olhamos pra trás e pensamos
sobre tudo que já fizemos;
sobre o que perdemos e ganhamos
E ainda nos restam os mesmos sonhos
Ainda somos sonhos irrealizados
Ainda somos sonhos
Somos sonhos ainda
Depois de tanto tempo
Ainda não sabemos quem somos
E o futuro ainda é o firmamento
Tão distante de onde estamos
E ainda assim vivemos
De sonhos e do que comemos
Ainda assim queremos
Sonhar o sonho que não vivemos
Meus sonhos são seus também
São nossos os sonhos de mais ninguém
Ainda nos restam os mesmos sonhos
Ainda somos sonhos possíveis
Ainda somos sonhos
Somos sonhos ainda
O tempo parece não importar mais
Tivemos alguns momentos
De um tempo que não voltará atrás
Somos a soma do que vivemos
Olhamos pra trás e pensamos
sobre tudo que já fizemos;
sobre o que perdemos e ganhamos
E ainda nos restam os mesmos sonhos
Ainda somos sonhos irrealizados
Ainda somos sonhos
Somos sonhos ainda
Depois de tanto tempo
Ainda não sabemos quem somos
E o futuro ainda é o firmamento
Tão distante de onde estamos
E ainda assim vivemos
De sonhos e do que comemos
Ainda assim queremos
Sonhar o sonho que não vivemos
Meus sonhos são seus também
São nossos os sonhos de mais ninguém
Ainda nos restam os mesmos sonhos
Ainda somos sonhos possíveis
Ainda somos sonhos
Somos sonhos ainda
22 de julho de 2007
Estou todo aqui, nestas palavras que nada dizem, porque não tenho nada a dizer. Sou o nada em sua plenitude, e isso é muito, até demais para alguém tão limitado e confuso a respeito de si e do que representa para os outros e para si próprio. Mas se sou todo nada e se nada tenho a dizer, por que digo, repito, escrevo e rescrevo essas mesmas palavras? Por que ainda sigo, insisto, persigo e persisto nesse desconhecido caminho cheio de espinhos que provavelmente não me levará a lugar algum, a não ser, talvez, e fatalmente, para onde haja maiores dúvidas, medos e frustrações?
Talvez a resposta para esta e outras perguntas esteja justamente no fim da via oposta dessa estrada que me leva até mim; e lá dentro, no centro, no epicentro das dores e sofrimentos causados por amores que não vingaram e me arruinaram aos poucos, e de pouco em pouco, enfim, por completo deixou-me como agora estou, ostentando esse nada que por hora sou.
Talvez a resposta para esta e outras perguntas esteja justamente no fim da via oposta dessa estrada que me leva até mim; e lá dentro, no centro, no epicentro das dores e sofrimentos causados por amores que não vingaram e me arruinaram aos poucos, e de pouco em pouco, enfim, por completo deixou-me como agora estou, ostentando esse nada que por hora sou.
8 de julho de 2007
ELA E OUTRA MULHERES DE RUBEM FONSECA

Demorei, devido a falta de verba, mas enfim li o mais recente livro de Rubem Fonseca, Ela e outras mulheres. São dezessete contos desse que eu considero, entres os autores que eu já li, o melhor contista da literatura brasileira. Rubem Fonseca deixa mais uma vez sua marca, seu estilo e toda sua criatividade. É o mestre no seu auge, auge esse que já dura décadas. Virulência e humor, raiva e deboche. Está tudo nesse livro que é um bom apêndice de toda a vasta obra do escritor carioca e é complemente avesso a entrevistas, aparições em todo e qualquer veículo de comunicação e até mesmo a ter sua imagem reproduzida em foto. Por isso regozijai-vos com uma raríssima foto mais recente tirada desse grande mestre da literatura brasileira.
30 de junho de 2007
BONÍSSIMA AURORA (Conto)
Aurora, boníssima Aurora. Em Aurora vivi os melhores anos da minha vida, até porque os anos que vivi foram os únicos que tive e também, em Aurora, foi onde nasci, me criei e onde ainda vivo. Lembro-me melhor a segunda parte, já que a primeira, o nascer, não é lembrança viva em minha memória; minhas recordações começam a fluir em minha mente a partir dos meus seis anos; antes disso nada tenho de recordação. Talvez seja uma injustiça não ter nenhuma lembrança de quando era recém-nascido, já que considero estes, os primeiros, os melhores anos da minha vida e acho que todos deveriam pensar assim. É tudo muito simples, apenas dormir, chorar e mamar. O sono é fácil e tranqüilo; o choro é quase sempre por causa da fome, que depois de saciada, voltamos a dormir, sem complicações e questionamentos existenciais.
Minto ao dizer que me criei; o que acharia papai e mamãe disso? À eles devo esse crédito. Minha infância e juventude não merecem atenção especial nem menções que devam ser levadas em consideração. Foi tudo muito normal, graças à deus. A fase de minha vida que passo a admirar mais é a atual; concordo que ter sessenta e cinco anos, para muitos, não deve ser muito excitante, mas são os anos que tenho e deles muito me orgulho. De que vale ter a força e não saber usá-la, ter a coragem e ser imprudente, acho que de nada vale. Prefiro a paciência cultivada que tenho e que me ajuda a refletir sobre tudo que fiz e tudo que deixei de fazer.
Não sou nostálgico. O saudosismo beira e acompanha a acomodação e a tristeza; quando elogio Aurora, não me valho do passado, mas sim do presente, do que tenho e de quem sou. Aurora merece meu cortejo, ainda é bela e vistosa. Cidade pequena; antes parecia ser maior e melhor, mas seus encantos jamais o tempo ou as pessoas poderão destruí-los. Sinto-me dono de aurora e acho que posso me sentir um pouco assim, como aquelas pessoas que invadem um terreno e lá ficam por dezenas de anos, mesmo não sendo donos legítimos, o sentimento de posse e soberania e compreensível. Assim me sinto: um dono sem poder sobre sua propriedade; logo eu que sou tão possessivo. Me atenho a ficar distante e sozinho, como sempre fui, como nunca quis ser e como acho que vou terminar.
Minha vida foi tão teimosa e repetitiva que chego a me envergonhar. Não tenho aventuras das quais possa me vangloriar nem romances proibidos, duelos mortais e descontroles emocionais. Nada. Nada de inconstante. Amigos, quase nenhum; amei muitas mulheres, muitas, mas meu destino foi o mesmo de Camões. O solitário barda português é minha companhia literária predileta e consagrada; sim, Camões morreu sozinho, e percebo que assim será também o meu fim. Não gosto desta constatação, mas pra que mudar o que se faz perfeito? Quando alguém nasce para sofrer e tenta mudar essa sina, acaba por fazer outras pessoas sofrerem junto com ela. Porém, não defendo a desistência dos sonhos e fantasias; sei que, às vezes, a dor é tanta que pensamos em desistir, mas quando desistimos, aí é que a dor aumenta desconsoladamente.
A solidão que sinto só não é maior, porque tenho a companhia mágica dos meus livros, dos meus discos, da minha mobília antiga e dos animais de estimação, que nada me estimam. Mas pra que reclamar? Pra aumentar o ressentimento? Não, não mesmo. Prefiro sofrer pouco do que muito. O que vivi foi o suficiente; tive amigos que me abandonaram, mas foram sinceros; tive amores que não me amaram, mas o importante não é ser correspondido amorosamente, e sim amar; o importante não é ter no que acreditar, mas sim acreditar. Acreditar, não nas coisas, mas em si mesmo.
Agora apenas observo os outros ao meu redor, cometendo os mesmos erros que eu cometi; confesso que isso me consola. É estranho, mas pelo menos assim percebo que não fui eu quem, sozinho, errou, e sim a vida. Há certas coisas que são inevitáveis, por mais que se tente evitá-las.
Minhas reminiscências parecem tomar forma de despedida melancólica, mas não foi essa a minha intenção. Talvez seja um reflexo do inverno, da chuva lá fora, das más notícias que as rádios, mais quantitativamente, irradiam hoje em dia; do tempo que foi desperdiçado e que não volta mais.
O que me resta é o melhor de tudo: a compreensão dos meus sentimentos, a calma para aproveitar melhor os poucos momentos felizes, minhas receitas de bolo caseiro, meus programas de televisão (que sempre estão reprisando), meus cobertores que já têm a forma exata do meu corpo, minha lareira, meus dedos, minhas pernas, meus vinte e dois dentes que sobraram, etc. tenho o melhor da vida, que é a própria vida, e apenas ela.
Engraçado, tudo isso me veio à tona, só porque olhei pela janela e vi um buraco onde antes havia um hospital, o mesmo hospital onde eu nasci e que agora vai dar lugar a um shoping center. É o progresso, o progresso que eu não posso evitar. Não posso evitar que coisas, quase unânimes, aconteçam, mesmo que elas sejam inumanas e destrutivas. Ao menos sei que fiz a minha parte, tendo sido ela útil ou não, eu sei que, ainda bem, as coisas nas quais acredito não me traíram, isso me conforta e me salva ileso da maldade da Aurora de hoje em dia.
Minto ao dizer que me criei; o que acharia papai e mamãe disso? À eles devo esse crédito. Minha infância e juventude não merecem atenção especial nem menções que devam ser levadas em consideração. Foi tudo muito normal, graças à deus. A fase de minha vida que passo a admirar mais é a atual; concordo que ter sessenta e cinco anos, para muitos, não deve ser muito excitante, mas são os anos que tenho e deles muito me orgulho. De que vale ter a força e não saber usá-la, ter a coragem e ser imprudente, acho que de nada vale. Prefiro a paciência cultivada que tenho e que me ajuda a refletir sobre tudo que fiz e tudo que deixei de fazer.
Não sou nostálgico. O saudosismo beira e acompanha a acomodação e a tristeza; quando elogio Aurora, não me valho do passado, mas sim do presente, do que tenho e de quem sou. Aurora merece meu cortejo, ainda é bela e vistosa. Cidade pequena; antes parecia ser maior e melhor, mas seus encantos jamais o tempo ou as pessoas poderão destruí-los. Sinto-me dono de aurora e acho que posso me sentir um pouco assim, como aquelas pessoas que invadem um terreno e lá ficam por dezenas de anos, mesmo não sendo donos legítimos, o sentimento de posse e soberania e compreensível. Assim me sinto: um dono sem poder sobre sua propriedade; logo eu que sou tão possessivo. Me atenho a ficar distante e sozinho, como sempre fui, como nunca quis ser e como acho que vou terminar.
Minha vida foi tão teimosa e repetitiva que chego a me envergonhar. Não tenho aventuras das quais possa me vangloriar nem romances proibidos, duelos mortais e descontroles emocionais. Nada. Nada de inconstante. Amigos, quase nenhum; amei muitas mulheres, muitas, mas meu destino foi o mesmo de Camões. O solitário barda português é minha companhia literária predileta e consagrada; sim, Camões morreu sozinho, e percebo que assim será também o meu fim. Não gosto desta constatação, mas pra que mudar o que se faz perfeito? Quando alguém nasce para sofrer e tenta mudar essa sina, acaba por fazer outras pessoas sofrerem junto com ela. Porém, não defendo a desistência dos sonhos e fantasias; sei que, às vezes, a dor é tanta que pensamos em desistir, mas quando desistimos, aí é que a dor aumenta desconsoladamente.
A solidão que sinto só não é maior, porque tenho a companhia mágica dos meus livros, dos meus discos, da minha mobília antiga e dos animais de estimação, que nada me estimam. Mas pra que reclamar? Pra aumentar o ressentimento? Não, não mesmo. Prefiro sofrer pouco do que muito. O que vivi foi o suficiente; tive amigos que me abandonaram, mas foram sinceros; tive amores que não me amaram, mas o importante não é ser correspondido amorosamente, e sim amar; o importante não é ter no que acreditar, mas sim acreditar. Acreditar, não nas coisas, mas em si mesmo.
Agora apenas observo os outros ao meu redor, cometendo os mesmos erros que eu cometi; confesso que isso me consola. É estranho, mas pelo menos assim percebo que não fui eu quem, sozinho, errou, e sim a vida. Há certas coisas que são inevitáveis, por mais que se tente evitá-las.
Minhas reminiscências parecem tomar forma de despedida melancólica, mas não foi essa a minha intenção. Talvez seja um reflexo do inverno, da chuva lá fora, das más notícias que as rádios, mais quantitativamente, irradiam hoje em dia; do tempo que foi desperdiçado e que não volta mais.
O que me resta é o melhor de tudo: a compreensão dos meus sentimentos, a calma para aproveitar melhor os poucos momentos felizes, minhas receitas de bolo caseiro, meus programas de televisão (que sempre estão reprisando), meus cobertores que já têm a forma exata do meu corpo, minha lareira, meus dedos, minhas pernas, meus vinte e dois dentes que sobraram, etc. tenho o melhor da vida, que é a própria vida, e apenas ela.
Engraçado, tudo isso me veio à tona, só porque olhei pela janela e vi um buraco onde antes havia um hospital, o mesmo hospital onde eu nasci e que agora vai dar lugar a um shoping center. É o progresso, o progresso que eu não posso evitar. Não posso evitar que coisas, quase unânimes, aconteçam, mesmo que elas sejam inumanas e destrutivas. Ao menos sei que fiz a minha parte, tendo sido ela útil ou não, eu sei que, ainda bem, as coisas nas quais acredito não me traíram, isso me conforta e me salva ileso da maldade da Aurora de hoje em dia.
16 de junho de 2007
CARPE DIEM
O termo Carpe Diem surgiu no período de decadência do império romano, num clima de “salve-se quem puder” e “cada um por si e deus contra todos”. Com o tempo, esse mesmo termo foi deturpado e passou a significar: “a vida é bela, a vida é curta, tudo é lindo, deus é por nós, então Carpe Diem, ‘Aproveite o Dia’” eram o que diziam todas as músicas e no que acreditavam os que tatuavam essa frase no próprio corpo. Hoje esse pensamento se aproxima mais do sentido original de quando foi criado; hoje todo mundo diz Carpe Diem e anda por aí nas noitadas se entupindo de comprimidos de êxtase, bebidas energéticas, estimulante sexual, maconha, cocaína, crack, tirando racha, fazendo roleta russa, arrumando briga na rua para aplicar os golpes de jiu-jítsu que aprendeu na academia, se matando por dois ou três reais, por um copo de pinga ou um par de tênis importado. “Carpe Diem Mundão”, Aproveitem o Dia, que é só por hoje, pois o amanhã já era.
8 de junho de 2007
AGORA
Agora que já sei dizer não
Agora que já sei o que não quero
Agora que aprendi a gostar da escuridão
Agora que tão pouca coisa espero
Agora que sei com plena exatidão
Quando não devo ser sincero
Agora posso, enfim, ir me encontrar
Comigo mesmo; olhar no espelho
E mergulhar dentro de mim
Agora que já sei o que não quero
Agora que aprendi a gostar da escuridão
Agora que tão pouca coisa espero
Agora que sei com plena exatidão
Quando não devo ser sincero
Agora posso, enfim, ir me encontrar
Comigo mesmo; olhar no espelho
E mergulhar dentro de mim
7 de junho de 2007
TOP 5
Sempre eu que passava pelos portões de entrada da fábrica onde eu trabalhava, costumava lembrar de algumas músicas – peguei essa estranha mania de musicar todas as minhas lembranças, emoções, impressões e idéias; tudo tinha que ter um fundo musical. Acho que acabei adquirindo esse hábito do cinema, onde quase toda cena tem uma música tema –. Fiz até um top 5 das músicas que me remetiam ao meu trabalho:
Em 5º lugar: Running on the Spot, de Paul Weller:
I was hoping we’d make real progress
But it seems we have lost the power
Any tiny step of advancement
Is like a raindrop falling into the ocean
We’re running on the spot always have always will?
We’re just the next generation of the emotionally crippled
Em 4º lugar: AA UU, dos Titãs:
Estou ficando louco de tanto pensar
Estou ficando rouco de tanto gritar
..............................................................................
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está há hora de almoçar
Está na hora de jantar
Em 3º lugar: Fábrica, da Legião Urbana:
Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não muito o que lhe peço –
Eu quero trabalho honesto
Em vez de escravidão.
Em 2º lugar: Capitão de Indústria, de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle:
Eu, às vezes, fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
............................................
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
............................................
eu acordo p’rá trabalhar
eu durmo p’rá trabalhar
eu corro p’rá trabalhar
E em 1º lugar: Comportamento Geral, de Gonzaguinha:
Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: “Tudo tem melhorado”
..............................................................................
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: “Muito Obrigado”
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer, pelo bem da nação,
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece...
Em 5º lugar: Running on the Spot, de Paul Weller:
I was hoping we’d make real progress
But it seems we have lost the power
Any tiny step of advancement
Is like a raindrop falling into the ocean
We’re running on the spot always have always will?
We’re just the next generation of the emotionally crippled
Em 4º lugar: AA UU, dos Titãs:
Estou ficando louco de tanto pensar
Estou ficando rouco de tanto gritar
..............................................................................
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está há hora de almoçar
Está na hora de jantar
Em 3º lugar: Fábrica, da Legião Urbana:
Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não muito o que lhe peço –
Eu quero trabalho honesto
Em vez de escravidão.
Em 2º lugar: Capitão de Indústria, de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle:
Eu, às vezes, fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
............................................
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
............................................
eu acordo p’rá trabalhar
eu durmo p’rá trabalhar
eu corro p’rá trabalhar
E em 1º lugar: Comportamento Geral, de Gonzaguinha:
Você deve notar que não tem mais tutu
E dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
E dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: “Tudo tem melhorado”
..............................................................................
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: “Muito Obrigado”
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve, pois, só fazer, pelo bem da nação,
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece...
12 de maio de 2007
Não acredito em nada
Que não seja uma mentira bem contada
Nunca duvido do que não acredito
E nenhuma verdade me convence de verdade
Eu só sei duvidar
Eu só sei duvidar
Eu só sei duvidar
Estou cansado de tantas explicações
Não faz sentido o que tenho ouvido
Existem teorias, filosofias, religiões
Existem razões e delas eu duvido
Eu duvido de toda essa beleza
Eu duvido e duvido com certeza
Que não seja uma mentira bem contada
Nunca duvido do que não acredito
E nenhuma verdade me convence de verdade
Eu só sei duvidar
Eu só sei duvidar
Eu só sei duvidar
Estou cansado de tantas explicações
Não faz sentido o que tenho ouvido
Existem teorias, filosofias, religiões
Existem razões e delas eu duvido
Eu duvido de toda essa beleza
Eu duvido e duvido com certeza
4 de maio de 2007
"Todas as verdades são velhos
clichês, as mentiras é que
conseguem às vezes ser originais"
Trecho do livro Diário de Um Fescenino, de Rubem Fonseca
- Deputados decidem não votar leis na segunda-feira, devido o fato de ninguém ir trabalhar nas segundas;
- Querem transformar o dia 11 de maio em feriado por causa da beatificação do Frei Galvão;
- A lei de redução da maioridade penal para dezesseis anos foi aprovada no senado federal;
- O cara no comercial de tv dizendo que todo brasileiro entende de cerveja
23 de abril de 2007
17 de abril de 2007
O ESTABLISHMENT
Me revolta, me repugna, mas sobretudo, me assusta ouvir tantas opiniões e idéias fascistas sendo defendidas e divulgadas nas emissoras de rádios e televisão. Gente imbecil, preconceituosa, racista. Não consigo entender qual critério é adotado para esse tipo de gente estar em veículos tão importantes e de grande alcance. Quanta merda a gente escuta de gente escrota que se mete a entendedor de todas coisas, das quais, na verdade, não sabem absolutamente nada. É de se lamentar o espaço mal aproveitado, desperdiçado com discursos falso-moralistas, que escondem recalques e desvios de conduta. É uma gentinha ignorante, mal comida, que usa um discurso capenga de “defesa da família brasileira” da “moral e dos bons costumes”, e, é claro “das pessoas de bem da sociedade”. Uma bobajada só, de gente que só quer se promover, agradar e tornar ainda mais alienada aqueles que lhes dão ouvidos.
Enquanto isso, as pessoas que têm algo realmente interessante, útil e necessário para ser compartilhado com o resto do mundo não têm o mínimo espaço para expor suas idéias. Pessoas incríveis, com idéias e opiniões igualmente incríveis, que poderiam de fato colaborar para amenizar, ou ao menos ajudar a solucionar os problemas, que não são poucos, desse nosso país continente. Mas para essas pessoas não é dado espaço algum, exceto quando se quer justamente deturpar alguma opinião ou atitude por elas tomada.
Esses que aí estão falando sem dizer nada, são, na maior parte, maniqueístas, que burramente teimam em dividir a tudo e a todos entre bem e mal, levando-se, é claro, o cuidado de se colocarem sempre no lado dos bem, dos arautos da cidadania, dos cumpridores da lei e fiéis mantenedores da ordem e da verdade que mais lhes convém.
Já passou da hora dessas pessoas deixarem de ocupar o espaço tão precioso e útil para quem tem realmente algo substancioso para dividir com a coletividade. Que saíam esses fascistas, que finalmente possamos dar atenção a quem a mereça.
Enquanto isso, as pessoas que têm algo realmente interessante, útil e necessário para ser compartilhado com o resto do mundo não têm o mínimo espaço para expor suas idéias. Pessoas incríveis, com idéias e opiniões igualmente incríveis, que poderiam de fato colaborar para amenizar, ou ao menos ajudar a solucionar os problemas, que não são poucos, desse nosso país continente. Mas para essas pessoas não é dado espaço algum, exceto quando se quer justamente deturpar alguma opinião ou atitude por elas tomada.
Esses que aí estão falando sem dizer nada, são, na maior parte, maniqueístas, que burramente teimam em dividir a tudo e a todos entre bem e mal, levando-se, é claro, o cuidado de se colocarem sempre no lado dos bem, dos arautos da cidadania, dos cumpridores da lei e fiéis mantenedores da ordem e da verdade que mais lhes convém.
Já passou da hora dessas pessoas deixarem de ocupar o espaço tão precioso e útil para quem tem realmente algo substancioso para dividir com a coletividade. Que saíam esses fascistas, que finalmente possamos dar atenção a quem a mereça.
13 de abril de 2007
Os Incompreendidos

Os Incompreendidos, filme de François Truffaut, conta a história de um garoto que se sente incompreendido pelos pais e pela escola e acaba se isolando nos livros e cometendo pequenos delitos. Truffaut pensava em fazer apenas um curta-metragem, mas conseguiu mais recursos e acabou se aprofundando na idéia de mostrar o mundo dos adolescentes da França no final da década de 50. “A adolescência é uma fase reconhecida pelos educadores e sociólogos, mas negada pela família, pelos pais (…) O mundo é injusto, então é preciso se virar: faz-se o que se deseja, mesmo que isso seja proibido” afirmou o diretor, que realizou praticamente um filme autobiográfico. Esse filme, junto do “Acossado” de Godard, deu início a Nouvelle-vague francesa. Os Incompreendidos recebeu a Palma de Ouro de Melhor Diretor em Cannes, Melhor Filme Estrangeiro para a Associação de Críticos de Nova Iorque e indicado ao Oscar de Roteiro Original. Vale a penar conferir.
Título original: Les Quatre Cents Coups
Direção: François Truffaut
Elenco: Jean Pierre Léud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble, Georges Flamant, Patrick Auffay
Ano de lançamento: 1959, P/B
Lançado em DVD pela Continental, http://www.dvdcontinental.com.br/
9 de abril de 2007
A Fragrância do Coração
Sentou-se ao meu lado no ônibus; era tão cheirosa. Tão cheirosa que me chamou a atenção; não usava o mesmo perfume que a maioria das outras mulheres usava; era uma fragrância leve e ao mesmo tempo densa e marcante. Para personificar aquele agradável odor a figura da menina era lindíssima; era baixa, talvez não mais de um metro e sessenta de altura (para mim a altura é indiferente), branca (para mim a cor da pele é indiferente), e usava óculos (admito que os óculos são a minha queda) e se valia de toda a feminilidade possível para executar qualquer movimento que fosse. Logo fiz a primeira coisa que sempre faço quando encontro uma mulher que chama a minha atenção, olhei para os dedos anelares das duas mãos e percebi que ela não usava aliança em nenhum deles; isso aumentou meu interesse. Usava uma jaqueta jeans azul por sobre uma vestido curto de algodão que lhe caia a saia bem no meio das belas coxas alvas e bem torneadas. Essa visão, ainda que de esguelha, para não me denunciar, me excitou, mas era uma excitação diferente, quase não sexual; porém, é impossível negar que entre minhas pernas não intumesceu o órgão, que até então se mantinha incólume. Mas era um o desejo sexual mais delicado, sensivelmente táctil, se é que isso era possível; minha ânsia não era penetrar-lhe e vê-la gemer de prazer e dor. Não. Me movia a vontade de apenas e tão somente abraçá-la, acariciar-lhe os cabelos pretos, longos e lisos, beijar o vão côncavo de sua clavícula, apertar seus pequenos seios rijos contra meu peito, e nada mais precisava para eu ir ao auge de minha libido. Repito que o perfume dela era o que mais me excitava, um odor que me seduzia, me fascinava. Ela, vez por outra, me olhava, atraída pela curiosidade de saber por quê que eu tanto a olhava. Seus pés em sandálias completavam seu aspecto simples, meio prosaico, porém elegante e sensual. Três pontos antes do meu, ela apertou a campainha, o ônibus parou, ela desceu e nem sequer voltou seu olhar para dentro do ônibus, na minha direção. E eu, que antes de pegar aquele ônibus era apenas cansaço, depois que aquela menina se foi, acrescentei à fadiga muscular e à faina de espírito um certo descontentamento e desilusão de não ser o dono daquele coração tão perfumado.
7 de abril de 2007
5 de abril de 2007
27
No quinto dia do quarto mês do ano da graça de MCMLXXX, nasceu mais um menino torto, que mais se entortou procurando se endireitar, mas até o presente momento, não conseguiu lograr êxito. Há muito o que se dizer, mas quase sempre ele prefere calar. Nem faz tanto tempo assim, mas para ele é como se fosse uma eternidade. Quanto tempo jogado fora, quanta coisa lá fora e ele sempre enfurnado dentro de si mesmo. Pode ainda faltar muito, ou daqui a uma fração de segundo tudo pode se acabar, para ele, agora, isso parece já não importar tanto assim. Às vezes, a paciência não é uma qualidade, mas a única opção. Agora ele espera, enquanto vai tentado ainda tentar, tentando acreditar no inacreditável, imaginar o inimaginável e suportar o peso de suas próprias frustrações.
3 de abril de 2007
Hoje
Insistir num erro é errar de novo
O que foi feito, o que foi dito
Tudo que foi vivido
Não pode ser refeito ou esquecido
Insistir num erro é perpetuá-lo
O que ninguém fez e o que se desfez
pertencem ao passado
Tudo está guardado na memória
Todas as histórias da sua história
Todas as histórias da sua vida
Todas as vidas vividas agora
Hoje será passado amanhã
Somos hoje o que amanhã teremos
Hoje vivemos o hoje. Hoje erramos
O que foi feito, o que foi dito
Tudo que foi vivido
Não pode ser refeito ou esquecido
Insistir num erro é perpetuá-lo
O que ninguém fez e o que se desfez
pertencem ao passado
Tudo está guardado na memória
Todas as histórias da sua história
Todas as histórias da sua vida
Todas as vidas vividas agora
Hoje será passado amanhã
Somos hoje o que amanhã teremos
Hoje vivemos o hoje. Hoje erramos
30 de março de 2007
O Rato no Quintal
Oh, meu bem
Eles não respeitam mais ninguém
Para te humilhar, cospem no teu rosto
E não podes encará-los nos olhos
Meu bem
Eles são cruéis mesmo
Às gargalhadas eles atiram à queima-roupa
A consciência deles é feita de éter
Eterna perseguição nos é imposta
Oh, meu bem
Eles são muitos
Estão armados, não têm medo, não têm futuro
Eles jamais terão compaixão
Meu bem, meu bem
Para eles o respeito é uma vidraça a ser quebrada
Estão nos encurralando
Estão minando nossa resistência
Eles estão vencendo
Oh, meu bem
Meu bem, me diga
Quem são eles? Onde estão?
O que realmente querem?
O que podemos fazer?
Mas meu bem
Eles são realmente eles?
Será que nós não somos um pouco eles?
Será que nós não os estamos alimentando?
Eu só sei de uma coisa meu bem
Eu não estou mais agüentando
Eles não respeitam mais ninguém
Para te humilhar, cospem no teu rosto
E não podes encará-los nos olhos
Meu bem
Eles são cruéis mesmo
Às gargalhadas eles atiram à queima-roupa
A consciência deles é feita de éter
Eterna perseguição nos é imposta
Oh, meu bem
Eles são muitos
Estão armados, não têm medo, não têm futuro
Eles jamais terão compaixão
Meu bem, meu bem
Para eles o respeito é uma vidraça a ser quebrada
Estão nos encurralando
Estão minando nossa resistência
Eles estão vencendo
Oh, meu bem
Meu bem, me diga
Quem são eles? Onde estão?
O que realmente querem?
O que podemos fazer?
Mas meu bem
Eles são realmente eles?
Será que nós não somos um pouco eles?
Será que nós não os estamos alimentando?
Eu só sei de uma coisa meu bem
Eu não estou mais agüentando
27 de março de 2007
Dialética
Quem tem algo mais a dizer
Levante a mão, solte o pigarro
E brade em alto e bom som,
Defenda sua verdade, esconda suas mentiras
Ignore a sanidade e manipule os fatos
Cada um tem a sua própria razão
E quase sempre ela é maior que o bom senso
Mesmo sendo castigado pelo ressentimento
Pago só pelo faço e não pelo que penso
Eis então o bom cidadão,
Eis em ação o bom cidadão:
Exigindo seus direitos, negando seus deveres
Fazendo o que não quer, querendo não querer
Desejando o que não pode, sem ter o que fazer
Fazendo o que não deve, devendo sem saber
Sabendo que não sabe e fingindo esquecer,
Esquecendo de viver, pensando em prazer
Vendo o próprio fim sem nada poder fazer
E terminado seu discurso
Se acomode em seu lugar
Faça silêncio e ouça tudo
Esperando a hora de acabar
Volte pra casa e sinta-se bem
Afinal, como diz o ditado:
“Quem tudo quer, nada tem”
Viva em paz com sua dor
Que eu disfarço meu rancor também
Levante a mão, solte o pigarro
E brade em alto e bom som,
Defenda sua verdade, esconda suas mentiras
Ignore a sanidade e manipule os fatos
Cada um tem a sua própria razão
E quase sempre ela é maior que o bom senso
Mesmo sendo castigado pelo ressentimento
Pago só pelo faço e não pelo que penso
Eis então o bom cidadão,
Eis em ação o bom cidadão:
Exigindo seus direitos, negando seus deveres
Fazendo o que não quer, querendo não querer
Desejando o que não pode, sem ter o que fazer
Fazendo o que não deve, devendo sem saber
Sabendo que não sabe e fingindo esquecer,
Esquecendo de viver, pensando em prazer
Vendo o próprio fim sem nada poder fazer
E terminado seu discurso
Se acomode em seu lugar
Faça silêncio e ouça tudo
Esperando a hora de acabar
Volte pra casa e sinta-se bem
Afinal, como diz o ditado:
“Quem tudo quer, nada tem”
Viva em paz com sua dor
Que eu disfarço meu rancor também
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