12 de maio de 2007

Não acredito em nada
Que não seja uma mentira bem contada
Nunca duvido do que não acredito
E nenhuma verdade me convence de verdade

Eu só sei duvidar
Eu só sei duvidar
Eu só sei duvidar

Estou cansado de tantas explicações
Não faz sentido o que tenho ouvido
Existem teorias, filosofias, religiões
Existem razões e delas eu duvido

Eu duvido de toda essa beleza
Eu duvido e duvido com certeza

4 de maio de 2007

"Todas as verdades são velhos
clichês, as mentiras é que
conseguem às vezes ser originais"

Trecho do livro Diário de Um Fescenino, de Rubem Fonseca



  • Deputados decidem não votar leis na segunda-feira, devido o fato de ninguém ir trabalhar nas segundas;
  • Querem transformar o dia 11 de maio em feriado por causa da beatificação do Frei Galvão;
  • A lei de redução da maioridade penal para dezesseis anos foi aprovada no senado federal;
  • O cara no comercial de tv dizendo que todo brasileiro entende de cerveja

23 de abril de 2007


E que não ouse alguém duvidar
Do poder que tem quem não tem
Nada a perder
Alguém, por tudo querer, sem nada poder
Tudo pode por nada temer

Quem nada tem a perder
Tem tudo que precisa



17 de abril de 2007

O ESTABLISHMENT

Me revolta, me repugna, mas sobretudo, me assusta ouvir tantas opiniões e idéias fascistas sendo defendidas e divulgadas nas emissoras de rádios e televisão. Gente imbecil, preconceituosa, racista. Não consigo entender qual critério é adotado para esse tipo de gente estar em veículos tão importantes e de grande alcance. Quanta merda a gente escuta de gente escrota que se mete a entendedor de todas coisas, das quais, na verdade, não sabem absolutamente nada. É de se lamentar o espaço mal aproveitado, desperdiçado com discursos falso-moralistas, que escondem recalques e desvios de conduta. É uma gentinha ignorante, mal comida, que usa um discurso capenga de “defesa da família brasileira” da “moral e dos bons costumes”, e, é claro “das pessoas de bem da sociedade”. Uma bobajada só, de gente que só quer se promover, agradar e tornar ainda mais alienada aqueles que lhes dão ouvidos.
Enquanto isso, as pessoas que têm algo realmente interessante, útil e necessário para ser compartilhado com o resto do mundo não têm o mínimo espaço para expor suas idéias. Pessoas incríveis, com idéias e opiniões igualmente incríveis, que poderiam de fato colaborar para amenizar, ou ao menos ajudar a solucionar os problemas, que não são poucos, desse nosso país continente. Mas para essas pessoas não é dado espaço algum, exceto quando se quer justamente deturpar alguma opinião ou atitude por elas tomada.
Esses que aí estão falando sem dizer nada, são, na maior parte, maniqueístas, que burramente teimam em dividir a tudo e a todos entre bem e mal, levando-se, é claro, o cuidado de se colocarem sempre no lado dos bem, dos arautos da cidadania, dos cumpridores da lei e fiéis mantenedores da ordem e da verdade que mais lhes convém.
Já passou da hora dessas pessoas deixarem de ocupar o espaço tão precioso e útil para quem tem realmente algo substancioso para dividir com a coletividade. Que saíam esses fascistas, que finalmente possamos dar atenção a quem a mereça.

13 de abril de 2007

Os Incompreendidos



Os Incompreendidos, filme de François Truffaut, conta a história de um garoto que se sente incompreendido pelos pais e pela escola e acaba se isolando nos livros e cometendo pequenos delitos. Truffaut pensava em fazer apenas um curta-metragem, mas conseguiu mais recursos e acabou se aprofundando na idéia de mostrar o mundo dos adolescentes da França no final da década de 50. “A adolescência é uma fase reconhecida pelos educadores e sociólogos, mas negada pela família, pelos pais (…) O mundo é injusto, então é preciso se virar: faz-se o que se deseja, mesmo que isso seja proibido” afirmou o diretor, que realizou praticamente um filme autobiográfico. Esse filme, junto do “Acossado” de Godard, deu início a Nouvelle-vague francesa. Os Incompreendidos recebeu a Palma de Ouro de Melhor Diretor em Cannes, Melhor Filme Estrangeiro para a Associação de Críticos de Nova Iorque e indicado ao Oscar de Roteiro Original. Vale a penar conferir.

Título original: Les Quatre Cents Coups
Direção: François Truffaut
Elenco: Jean Pierre Léud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble, Georges Flamant, Patrick Auffay
Ano de lançamento: 1959, P/B
Lançado em DVD pela Continental, http://www.dvdcontinental.com.br/

9 de abril de 2007

A Fragrância do Coração

Sentou-se ao meu lado no ônibus; era tão cheirosa. Tão cheirosa que me chamou a atenção; não usava o mesmo perfume que a maioria das outras mulheres usava; era uma fragrância leve e ao mesmo tempo densa e marcante. Para personificar aquele agradável odor a figura da menina era lindíssima; era baixa, talvez não mais de um metro e sessenta de altura (para mim a altura é indiferente), branca (para mim a cor da pele é indiferente), e usava óculos (admito que os óculos são a minha queda) e se valia de toda a feminilidade possível para executar qualquer movimento que fosse. Logo fiz a primeira coisa que sempre faço quando encontro uma mulher que chama a minha atenção, olhei para os dedos anelares das duas mãos e percebi que ela não usava aliança em nenhum deles; isso aumentou meu interesse. Usava uma jaqueta jeans azul por sobre uma vestido curto de algodão que lhe caia a saia bem no meio das belas coxas alvas e bem torneadas. Essa visão, ainda que de esguelha, para não me denunciar, me excitou, mas era uma excitação diferente, quase não sexual; porém, é impossível negar que entre minhas pernas não intumesceu o órgão, que até então se mantinha incólume. Mas era um o desejo sexual mais delicado, sensivelmente táctil, se é que isso era possível; minha ânsia não era penetrar-lhe e vê-la gemer de prazer e dor. Não. Me movia a vontade de apenas e tão somente abraçá-la, acariciar-lhe os cabelos pretos, longos e lisos, beijar o vão côncavo de sua clavícula, apertar seus pequenos seios rijos contra meu peito, e nada mais precisava para eu ir ao auge de minha libido. Repito que o perfume dela era o que mais me excitava, um odor que me seduzia, me fascinava. Ela, vez por outra, me olhava, atraída pela curiosidade de saber por quê que eu tanto a olhava. Seus pés em sandálias completavam seu aspecto simples, meio prosaico, porém elegante e sensual. Três pontos antes do meu, ela apertou a campainha, o ônibus parou, ela desceu e nem sequer voltou seu olhar para dentro do ônibus, na minha direção. E eu, que antes de pegar aquele ônibus era apenas cansaço, depois que aquela menina se foi, acrescentei à fadiga muscular e à faina de espírito um certo descontentamento e desilusão de não ser o dono daquele coração tão perfumado.

7 de abril de 2007

Andava tão distraído
que um dia tropeçou na própria sombra
e caiu em si
Se viu invisível e riu

Nesse dia
soube que tudo estava perdido
e foi então que se encontrou
Não fosse andar distraído
estaria até agora perdido

5 de abril de 2007

27

No quinto dia do quarto mês do ano da graça de MCMLXXX, nasceu mais um menino torto, que mais se entortou procurando se endireitar, mas até o presente momento, não conseguiu lograr êxito. Há muito o que se dizer, mas quase sempre ele prefere calar. Nem faz tanto tempo assim, mas para ele é como se fosse uma eternidade. Quanto tempo jogado fora, quanta coisa lá fora e ele sempre enfurnado dentro de si mesmo. Pode ainda faltar muito, ou daqui a uma fração de segundo tudo pode se acabar, para ele, agora, isso parece já não importar tanto assim. Às vezes, a paciência não é uma qualidade, mas a única opção. Agora ele espera, enquanto vai tentado ainda tentar, tentando acreditar no inacreditável, imaginar o inimaginável e suportar o peso de suas próprias frustrações.

3 de abril de 2007

Hoje

Insistir num erro é errar de novo
O que foi feito, o que foi dito
Tudo que foi vivido
Não pode ser refeito ou esquecido

Insistir num erro é perpetuá-lo
O que ninguém fez e o que se desfez
pertencem ao passado

Tudo está guardado na memória
Todas as histórias da sua história
Todas as histórias da sua vida
Todas as vidas vividas agora

Hoje será passado amanhã
Somos hoje o que amanhã teremos
Hoje vivemos o hoje. Hoje erramos

30 de março de 2007

O Rato no Quintal

Oh, meu bem
Eles não respeitam mais ninguém
Para te humilhar, cospem no teu rosto
E não podes encará-los nos olhos

Meu bem
Eles são cruéis mesmo
Às gargalhadas eles atiram à queima-roupa
A consciência deles é feita de éter
Eterna perseguição nos é imposta

Oh, meu bem
Eles são muitos
Estão armados, não têm medo, não têm futuro
Eles jamais terão compaixão

Meu bem, meu bem
Para eles o respeito é uma vidraça a ser quebrada
Estão nos encurralando
Estão minando nossa resistência
Eles estão vencendo

Oh, meu bem
Meu bem, me diga
Quem são eles? Onde estão?
O que realmente querem?
O que podemos fazer?

Mas meu bem
Eles são realmente eles?
Será que nós não somos um pouco eles?
Será que nós não os estamos alimentando?
Eu só sei de uma coisa meu bem
Eu não estou mais agüentando

27 de março de 2007

Dialética

Quem tem algo mais a dizer
Levante a mão, solte o pigarro
E brade em alto e bom som,
Defenda sua verdade, esconda suas mentiras
Ignore a sanidade e manipule os fatos
Cada um tem a sua própria razão
E quase sempre ela é maior que o bom senso
Mesmo sendo castigado pelo ressentimento
Pago só pelo faço e não pelo que penso

Eis então o bom cidadão,
Eis em ação o bom cidadão:
Exigindo seus direitos, negando seus deveres
Fazendo o que não quer, querendo não querer
Desejando o que não pode, sem ter o que fazer
Fazendo o que não deve, devendo sem saber
Sabendo que não sabe e fingindo esquecer,
Esquecendo de viver, pensando em prazer
Vendo o próprio fim sem nada poder fazer

E terminado seu discurso
Se acomode em seu lugar
Faça silêncio e ouça tudo
Esperando a hora de acabar
Volte pra casa e sinta-se bem
Afinal, como diz o ditado:
“Quem tudo quer, nada tem”
Viva em paz com sua dor
Que eu disfarço meu rancor também

24 de março de 2007

Metrópole

Cada animal com seu instinto
e cada verme com seu partido;
Das desgraças, das quais consinto,
a ignorância é a que mais tem me doído

Dos retângulos verticais
que paralelos e estáticos eternizam
a grandeza esmeralda dos capitais,
vejo o cinza vulgar dos que se imitam;

Cada zumbi vestindo sua pedante ilusão,
respirando todo o fedor sanitário,
comendo a mais podre reserva de grãos
e arrotando um forçado sorriso amarelado;

A cada animal cabe um destino
e nenhum verme, do asco, se isenta.
Com o perigo a desgraça tira um fino
e escapa da vida fingindo pena

mas alimentando a miséria alheia
como se o imundo mundo fosse justo;
Sua falsa fachada não se permeia,
só a dor se penetra a todo custo

derme adentro
até o centro
até a razão sucumbir;
E, quem sabe assim, a vida se acostume
à inconstância do que há por vir
pois a vida não tem sumo, só tem gume.

20 de março de 2007

Auto-Imagem

Rascunhou a própria imagem numa folha de papel
E achou-se mais parecido consigo mesmo ali
Do que na imagem impregnada no espelho
Ou na velha fotografia que registrara um tempo não vivido

Ele agora era aquele rascunho
Com traços imperfeitos, imprecisos, rabiscados
Essa parecia ser sua real fisionomia
Esse desenho parecia mais com seu cenho
Enfim, havia encontrado seu auto-retrato

Se fez a esmo, com pressa de logo vê-lo terminado
Por suas próprias mãos, com seu próprio conceito se si mesmo
O papel branco e as linhas pretas as únicas cores
Que todo bom desenhista sabe não serem realmente cores
São apenas presença e ausência de luz

Ele se sabe incolor, pois sabe que nunca amou
Ele se sabe disforme, se sabe sem nome
Ele se sabe dor

Sua auto-imagem não deveria ser retocada
Nada de correção ou arte-final
Ele era daquele mesmo feitio ali registrado
Era luz e sombra, era o nada cheio de cercas
Ele era aquilo e não poderia melhorá-lo
Tampouco seria capaz de póstuma reprodução
Que lhe seria mais fiel e verdadeira

E imediatamente terminado o esboço –
pois mesmo sendo-o inteiro, aquilo nada mais era
do que um mísero esboço –
Ele rasgou a folha e desfolhou-se
Soube como era e regozijou em silêncio
Tinha íntima certeza que depois de saber como realmente era
Poderia, a partir dali, ser qualquer outra coisa que quisesse

15 de março de 2007

AO MESTRE CONY OS PARABÉNS


Em tempo, espero. 14 de março, dia da poesia, aniversário de Carlos Heitor Cony, meu mestre. Principal responsável por meu amor à literatura e por minha obsessão por também ser escritor. Ao mestre desejo boa saúde, felicidades, e se possível, mais literatura.

VIVA CONY!!!

14 de março de 2007

êta nóis!

O etanol é a bola da vez. Ouve-se dizer que o Brasil será o maior produr de biomassa, de cana-de-açucar, de ácool combustível. Até o Bush veio, tumultuar ainda mais o cotidiano da cidade caos.
Bem, pelo pouco que sei, o Brasil é o maior produtor de soja, de açucar, de suco de laranja, de gado (tem mais boi do que gente nesse pais). Além disso é auto-suficiente na produção de petróleo.
Então cabe a pergunta: onde estão os benefícios de tanta potêncialidade econômica, de tanta produção de matéria prima?
Uma das maiores economias do mundo tem uma das maiores populações miseráveis do mundo. Pra onde vai tanto dinheiro que poderia ajudar a solucionar, ou ao menos amenizar, boa parte dos problemas sociais, educacionais, de saúde pública e de incentivo ao esporte e à cultura?
É por isso que esse assunto de etanol me soa tão distante e pouco crível de se acreditar quando ouço "Esse é um importante passo que o Brasil está dando". Dando pra onde? para a geração de riquezas que ficarão nas mãos dos mesmos 5% da população que detem 95% da riqueza desse país continente? Ou nas mãos dos corruptos do congresso, ou fora dele?
Só quando a gente ver a cor do dinheiro sendo usado para o bem estar dos que realmente merecem assistência, apoio e respeito do estado, é que esse tipo de iniciativa econômica será realmente compreendida e festejada.
Por enquanto, êta nois!

11 de março de 2007

MAIS UM DIA

Pelas ruas da grande metrópole a miséria levanta sua minissaia e exibe suas pernas, que outrora reluziam no furor da juventude, mas que agora, não escondem mais a decadência e a pouca curiosidade que lhe restou. Há que se andar com o nariz tampado, tomando cuidado para não tropeçar nos mendigos que se multiplicam pelas ruas sujas e enegrecidas do centro de toda e qualquer cidade metropolitana do Brasil. Os sentimentos se confundem; revolta, raiva, vergonha, medo, pena, tristeza, desilusão e desgosto. O sol do meio-dia vai queimando o asfalto e azedando o cheiro de urina e suor; nas portas das lojas de roupas e calçados de quinta categoria em promoção as almas se aglomeram, acotovelam-se, misturando suas fragrâncias dos desodorantes de essência de alfazema. A tarde cai e o crepúsculo avermelhado do pôr-de-sol se confunde com as cores dos luminosos de néon das boates e cinemas pornôs que têm seu movimento aumentado consideravelmente. Vem a noite, o frio e o calor; o cheiro de bebida e o som ligado em alto volume tocando forró, pagode e música sertaneja. O frege da putaria parece ecoar o som de um monstro de sexo, decadência e fetiches. A madrugada avança, o furor vai diminuindo, o silêncio e o sereno se impõem sobre todas as orgias e frustrações ocorridas horas antes; o perigo espreita. Os inimigos gostam de matar e roubar no limiar rotundo entre o fim da noite e o orvalho da alvorada. Os ônibus voltam a circular pelas, o dia mostra sua cara amassada e no céu o sol insurge novamente, convidando o mundo a apreciar mais um dia pleno, inútil e intenso, como todos os outros dias do ano.

7 de março de 2007

Oceano

Existe um oceano e no meio dele há alguém que olha para os lados e nada vê além de água, deserto, solidão, frio e ausência de algo ou alguém que se pareça consigo. Não nutre mais esperanças de que apareça alguém ou algo para lhe salvar. Sabe que a morte é só uma questão de tempo e entrega. Seu corpo é tomado pela paralisante hipotermia e é puxado com muita força para o fundo, para o abismo abissal do qual não poderá retornar. Mas ele não afunda, permanece boiando na superfície, respirando, existindo, resistindo, não se entregando. Agarrando com todas as forças a única coisa que o mantém vivo e ainda vendo além do que se mostra aos seus olhos. Esse oceano é o mundo, esse alguém sou eu e essa coisa a qual me agarro e que me mantém de olhos abertos e de coração protegido se chama LITERATURA.

3 de março de 2007

AMÉM

Dobre os joelhos e diga “Aleluia”
Se seus sonhos fracassaram e a pouca fé
É só mais um motivo para você sofrer.
Se a dor de perder o amor da sua mulher
e ver a filha recém nascida morrer o corroer,
Dobre os joelhos e diga “Aleluia”

Feche os olhos e diga “Amém”
Se há monstros o perseguindo,
Se há vozes soprando em seu ouvido,
Se o corpo não está mais resistindo
E se tudo está completamente perdido,
Feche os olhos e diga “Amém”

É tudo uma questão de ponto de vista!

28 de fevereiro de 2007

AS INSTITUIÇÕES BRAZILEIRAS


Observando o comportamento, e o movimento, das instituições desse país, é possível se constatar que:

1. O governo, não importa se de direita, centro ou esquerda, sempre se mantém à direita do povo e à esquerda da imprensa.

2. A imprensa, mais especificamente o jornalismo, sempre se mantém à esquerda do governo e à direita do povo.

3. O povo é mantido sempre à esquerda do governo e da imprensa, e por causa disso acaba se mantendo à direita de si mesmo.

4. E algumas pessoa do povo são marginalizadas a tal ponto de não conseguirem nem mesmo serem aceitas pela esquerda, tornam-se renegados e tomam o caminho do crime para tentar usufruir daquilo que só quem está na extrema direita usufrui.

E aquém a todas essas variações geopolíticas, sociais, históricas e econômicas da composição institucional brasileira estão as multinacionais, mantendo sempre os mesmos níveis de lucro, exploração e manipulação do país e da situação em que ele se encontra. São as únicas instituições realmente sólidas, que planejam, projetam, fazem estimativas e executam sua ações mercadológicas, marqueteiras, caras e ilusórias. Vendem de tudo, sobretudo idéias volúveis, fugazes e medíocres. Vendem o que você deve ser, ter e querer. E, por mais absurdo que possa parecer, a maioria das pessoas acaba comprando essas idéias e os bens materiais que elas representam.
Diante desse quadro, sempre parece haver a necessidade de escolha. Chega a ser uma imposição. É preciso escolher um lado, uma idéia, um partido, um conceito, uma cor, uma causa e sua provável conseqüência, uma religião, um rótulo, uma tribo, uma turma, uma gangue, uma verdade (mentira), um projeto de vida.
Será que não se pode escolher não escolher?
Será que a democracia se resume a essas obrigações?
Será que a liberdade ocidental só pode ser desfrutada sob essas grades?
Eu não quero escolher nada, nem ninguém. Não quero ser obrigado, por nenhum motivo, a fazer parte de nada, de nenhum movimento ou estagnação. Acho que a espontaneidade é que deve dirigir as nossas ações; devemos fazer o que nos sentimos obrigados a fazer, não o que os outros nos querem obrigar, por quaisquer motivos.

24 de fevereiro de 2007

BALA PERDIDA

A bala, que se perdera do epicentro
da briga entre João e Pedro Bento
por causa de Maria, moça bonita,
foi se encontrar bem lá dentro
das entranhas de um homem
cujo biografia era desconhecida.
A bala perdida encontrou um abdome,
João e Pedro Bento perderam Maria,
Maria acabou sozinha e sem ninguém;
E o homem baleado perdeu o trem e a vida