21 de agosto de 2015
POR UM BRASIL JUSTO, SÓ ISSO.
TEM PESSOAS QUE NUM SIMPLES RELAMPEJAR, FICAM ATENTAS E TEMEROSAS PELA CHUVA QUE VEM.
OUTRAS, SÓ ACREDITAM QUANDO OS PINGOS GROSSOS SOAM NO TELHADO DE ZINCO.
PORÉM A MAIORIA, SÓ PERCEBE QUANDO AS ÁGUAS JÁ LEVAM AS SUAS CASAS E UTENSÍLIOS.
ESSE É O PERFIL DO BRASILEIRO!
KIKO ZAMPIERI
PÉROLAS LITERÁRIAS NO FUTEBOL
Foi
assistindo, sem compromisso, um programa sobre futebol, chamado BOLA DA VEZ, na
ESPNBR e apresentado por um ex-ator global Dan Stulbach, que entrevistava o
polêmico treinador do São Paulo Futebol Clube, das canetas na meia, Juan Osório. Hoje entendi o motivo pelo qual ele é fissurado nessas canetas. O homem é muito
letrado, inteligente e simples, como todo sábio deve ser.
Digo isso,
simplesmente, pelo fato dele ter citado um escritor mexicano, até então desconhecido
para mim, Don Miguel Ruiz e um de seus livros: Os quatro compromissos.
Assim, me
senti responsável em repassar para os nossos leitores, um resumo desses Quatro Compromissos
e indicar esse livro que conta a história de um povo antigo do México, vale a
pena.
1 - PRIMEIRO COMPROMISSO:
SEJA IMPECÁVEL COM SUA PALAVRA
É o compromisso mais importante. É através da palavra que expressamos nosso poder criativo, quer seja através da fala ou do pensamento. É o mais poderoso instrumento que possuímos, e tanto pode ser usado para nos libertar como para nos escravizar.
O primeiro passo é ter consciência do poder da palavra. E aí então, torná-la impecável. Impecável significa "sem pecado". Bom, mas o que é pecado? Pecado é quando vamos contra a nossa natureza mais íntima, a nossa essência. Ou seja, sempre que nos julgamos, estamos pecando. Sempre que nos julgamos, nos criticamos, nos culpamos, nos condenamos, estamos pecando. E isso cria uma série de conflitos em nossa vida. E assim sem percebermos vamos nos escravizando a esses conflitos.
Se passarmos a sermos impecáveis com nossa palavra
iremos, pouco a pouco, re-criar nossa vida na direção do bem, do amor, da
harmonia. E nos libertar do conflito.
Esse é um compromisso difícil de assumir, pois vai contra muito do que nos ensinaram. Por isso que é fundamental, antes de tudo, acreditar no poder da palavra, pois foi esse mesmo poder, usado erradamente, que criou tanto conflito em nossa vida.
O próximo passo é assumir consigo mesmo o compromisso de sermos impecáveis com nossa palavra. Devemos observar a nós mesmos, o que dizemos, o que pensamos, e ir modificando nossa palavra. Observar a forma como falamos com nós mesmos (nosso diálogo interior) e evitar qualquer pensamento de crítica, julgamento, culpa, substituindo- os por pensamentos de apoio, afeto, confiança, aceitação. Aos poucos vamos realizando também esse processo na forma como lidamos com os outros, como falamos com eles, como pensamos sobre eles.
Esse é um compromisso difícil de assumir, pois vai contra muito do que nos ensinaram. Por isso que é fundamental, antes de tudo, acreditar no poder da palavra, pois foi esse mesmo poder, usado erradamente, que criou tanto conflito em nossa vida.
O próximo passo é assumir consigo mesmo o compromisso de sermos impecáveis com nossa palavra. Devemos observar a nós mesmos, o que dizemos, o que pensamos, e ir modificando nossa palavra. Observar a forma como falamos com nós mesmos (nosso diálogo interior) e evitar qualquer pensamento de crítica, julgamento, culpa, substituindo- os por pensamentos de apoio, afeto, confiança, aceitação. Aos poucos vamos realizando também esse processo na forma como lidamos com os outros, como falamos com eles, como pensamos sobre eles.
Ser impecável com nossa palavra é usar nossa
palavra para cultivar a semente do amor que existe em nós. É só em terreno
fértil que esse amor pode crescer e frutificar.
2 - SEGUNDO COMPROMISSO:
2 - SEGUNDO COMPROMISSO:
NÃO LEVE NADA PARA O LADO PESSOAL:
Se você leva as coisas pro lado pessoal é porque, em algum nível, você concorda com o que está sendo dito.
Nós costumamos levar as coisas pro lado pessoal
devido a uma coisa chamada "importância pessoal". Achamos que tudo o
que acontece a nossa volta tem a ver conosco. Será que tem mesmo?
O que os outros fazem, dizem ou pensam tem a ver
com a forma como os outros vêem o mundo, e não tem nada a ver com você. Já
parou pra pensar nisso?
Os outros veem o mundo baseado nos compromissos que
assumiram consigo mesmos (suas crenças) e isso não tem nada a ver com você.
Quando você se sente ofendido ou magoado por outra
pessoa sua reação é defender seus compromissos (suas crenças) como algo certo,
estabelecido, como uma "verdade", quando são apenas suas crenças.
Saiba que os outros não tem nada a ver com suas crenças.
Daí tantos conflitos e tanto caos criado em nossas vidas. Eu levo tudo pro lado pessoal, e os outros também. Eu defendo meus pontos de vista e os outros defendem os pontos de vista deles.
Daí tantos conflitos e tanto caos criado em nossas vidas. Eu levo tudo pro lado pessoal, e os outros também. Eu defendo meus pontos de vista e os outros defendem os pontos de vista deles.
Não deveríamos levar nada para o lado pessoal, nem
as críticas e nem os elogios.
Não levar nada para o lado pessoal é viver em estado de tal amor que todo o mundo ao nosso redor é visto por esse prisma, sob o ponto de vista do AMOR. Se vejo tudo com olhos amorosos, me liberto das críticas e até dos elogios.
Não levar nada para o lado pessoal é viver em estado de tal amor que todo o mundo ao nosso redor é visto por esse prisma, sob o ponto de vista do AMOR. Se vejo tudo com olhos amorosos, me liberto das críticas e até dos elogios.
O contrário do amor é o medo, e quanto mais medo
tivermos em nós, mais levaremos as coisas para o lado pessoal, criando caos e
conflito.
Escolha: quero ver o mundo com olhos medrosos? Ou
quero ver o mundo com olhos amorosos? Assuma o compromisso de não levar nada
para o lado pessoal, vendo tudo com olhos amorosos.
3 - TERCEIRO COMPROMISSO:
NÃO TIRE CONCLUSÕES:
Temos tendência a tirar conclusões sobre tudo, a presumir verdades.
É por isso que levamos tudo pro lado pessoal, porque acreditamos em nossas conclusões, em nossas "verdades", e como criamos conflito por isso...
Buscamos conclusões porque buscamos nos sentir
seguros. Tiramos conclusões até de nós mesmos. De onde você acha que vem nosso
autojulgamento? De nossas conclusões sobre nós mesmos!
Não tirar conclusões significa viver a vida como
ela é, dinâmica, viva, aberta, eternamente em movimento. Pare de presumir
verdades e simplesmente viva!
Claro que você pode saber mais sobre uma pessoa ou
uma situação. Nesse caso, faça perguntas, quantas achar necessário, mas nunca
ache que você detém toda a verdade. Tal coisa é impossível.
QUARTO COMPROMISSO:
DÊ SEMPRE O MELHOR DE SI:
Esse compromisso se refere a ação dos três compromissos anteriores.
Sempre dê o seu melhor, mas lembre-se que esse
melhor nunca será o mesmo, pois tudo sempre está mudando. Lembra quando disse
que a vida é dinâmica, aberta, sempre em movimento? Pois é! Por isso, não
busque aquele melhor idealizado que só existe nos filmes e que nos ensinaram
(esse melhor idealizado só serve pra nos criticarmos, pois nunca conseguimos
atingi-lo).
Dar o melhor de si significa não se esforçar
exageradamente nem fazer corpo mole. Dê o seu melhor de cada momento, nem mais,
nem menos. Quando você faz o seu melhor pode ter prazer na ação, ao invés de
fazer as coisas apenas esperando resultados, apenas esperando a recompensa.
Dar o seu melhor é ser feliz desde agora!
Assim, você irá atingir um ponto em que tudo o que
você faz é sempre o seu melhor.
Sempre que não conseguir manter um dos compromissos anteriores, não há problema, não se julgue, não se culpe. Você deu o seu melhor! E siga em frente.
Sempre que não conseguir manter um dos compromissos anteriores, não há problema, não se julgue, não se culpe. Você deu o seu melhor! E siga em frente.
Isso citado
por um técnico de futebol, tão criticado e ridicularizado, por nós, por não
conhecermos a verdadeira pessoa atrás desse homem. Julgado apenas pela linguagem
diferente da nossa, por usar canetas dentro das meias e ficar anotando tudo o
que acontece, porém mostrou ser um homem de visão e nunca soberbo, ensinar sem
tentar ser o melhor, o dono da verdade, somente quer ter o direito de expressar
suas opiniões.
Hoje eu
aprendi uma nova lição e tenho a obrigação de repassar aos nossos leitores.
Kiko Zampieri
14 de agosto de 2015
GOLDFIELD - UMA CIDADE FANTASMA
Goldfield era uma cidade antiga do estado de Nevada, nascida na época
da corrida do ouro em 1902. Quase uma cidade fantasma, com edifícios destruídos
pelo grande incêndio em 1923, dos quais apenas dois prédios ficaram intactos. O
Grande Hotel e a escola. Atualmente sobrevivia do pouco turismo daqueles que
adoravam as histórias do Velho Oeste, minas de ouro abandonadas, pedaços de
igrejas e muitas terras desertas.
O que um detetive de Bellevue Hill estava fazendo naquele fim de mundo?
Não era para nenhuma filmagem, com certeza. Eu havia recebido um pedido de um
velho amigo do meu pai, milionário e produtor de cinema, para localizar sua
filha mais velha. Ela havia desaparecido depois que saíra de uma festa na
Universidade. Tudo levava a crer que ela ficara bêbada e dormira na casa de
alguma amiga ou em estava em algum quarto de motel com algum jogador de futebol,
contudo o caso se tornou mais sério depois do segundo dia. A polícia e o FBI
foram comunicados e imediatamente entraram em ação. Como de costume a
morosidade das autoridades o fizeram chegar até mim. Perito em encontrar
pessoas desaparecidas, maridos e esposas infiéis e mulheres em busca de alguma
aventura. O problema que a minha área de atuação era bem requintada e cheia de
facilidades para locomoção. Aqui era o inferno de Dante. Calor, mosquitos,
cerveja quente e muito abandono. Pelos meus estudos, ali havia sido o centro
aurífero de Nevada, agora totalmente decadente.
Os habitantes tentavam ser cordiais e atenciosos, mas era impossível
mudar as características de um povo acostumado a aspereza daquela região, além
de estarem miscigenados com os nativos e latinos.
Esse era o terceiro dia em Goldfield e não havia conseguido nenhum
progresso, desde a minha última investigação de uma provável caminhonete com
placa daquele lugar com uma moça no banco de trás, e como descrevera o rapaz do
posto, assustada. Tanto ele reparou na moça que mal se lembrava da cor do
veículo, ninguém quisera falar sobre os possíveis donos na região.
Em frente ao único hotel, aliás a única construção de tijolos, notei a
moto estacionando numa das esquinas, próxima ao Correio, já era a terceiro dia
naquele mesmo horário que ele estacionava ali. Com certeza não era alguém
daquela região, vestido com um macacão preto de couro, devia estar derretendo
dentro daquela roupa. Meu instinto zumbiu e resolvi segui-lo, afinal estava
estagnado nas minhas investigações.
Uma hora depois a moto saiu, liguei o carro e fui seguindo de longe,
mas sem perdê-lo de vista. A tarde estava minguando e logo escureceria. Ele
saiu pela Rodovia 95 e uns três quilômetros depois entrou numa estrada de
terra. Ficara mais difícil acompanhá-lo, tive que apagar os faróis e seguir a
luz vermelha da traseira da moto. Fez uma curva para a direita e entrou numa
estrada estreita que mais parecia um leito seco de um antigo rio.
Apesar da lua estar clara e o céu estrelado, a visibilidade estava
turva, aumentada pela poeira que a motocicleta fazia. A luz foi diminuindo e eu
também, até que parou e se apagou.
Minha mente fez uma viagem rápida aos ensinamentos dos amigos
policiais, poderia ser uma emboscada. Saí do carro e abri o porta-malas. Uma
Shotgun automática, alguns cartuchos, uma pistola automática Eagle .45 e quatro
pentes, ainda bem que atendi a solicitação de Kevin, o parceiro do FBI, quando
disse que viria para aquela região, segurança nunca era demais, apanhei o
colete a prova de balas com apoios para os pentes da pistola, a lanterna e uma
respirada bem funda. Lá fui eu atrás do desconhecido.
Podia ver o vulto, se dirigindo para uma cabana, pela sua silhueta
iluminada pelo resto de claridade do horizonte, mas de repente desapareceu
entre as pequenas vegetações. Agachei-me, fiquei atento aos sons e nada, nenhum
movimento. O som de uma porta se abrindo na cabana fez com que desviasse a
minha atenção. Um homem enorme, careca e vestindo uma camiseta regata apareceu
na soleira mal iluminada e fez uma verificação de 180 graus, breve, retornando para
dentro da cabana. A visão em seguida foi de uma caminhonete estacionada nos
fundos, em frente ao que parecia ser um celeiro. Seria muita sorte encontrar ali
o sequestrador e a moça. Olhei em volta para tentar enxergar o motoqueiro,
nada. Agachado, fui contornando o terreno e deixando a cabana do meu lado
esquerdo até alcançar o que parecia ser um amontoado de ferro-velho e outras
coisas que não identifiquei. Mais à frente um forno de pedra, grande e alto,
sem fumaça saindo pela chaminé. Seria contra a lei, invadir aquela propriedade,
sem ter certeza que a moça estaria ali. Preferi checar o celeiro, mas antes que
me levantasse a porta dos fundos se abriu e o mesmo homem saiu em direção ao
celeiro segurando um pequeno saco plástico preto. Aguardei até que entrasse e
fui me aproximando devagar e atento, destravei a Eagle e a Shotgun, coloquei a
pistola de volta no coldre e continuei. Por uma fresta vi o homem acendendo um
lampião à gás e depois levantar do chão uma porta de madeira e travar numa
corrente. Ele pegou o lampião e desceu o que parecia ser uma escada, foi então
que ouvi um lamento e vários latidos. Segurei a Shotgun e fui entrando no
celeiro, antes de alcançar a escada percebi a luz amarelada se aproximando da
entrada do fosso. Rapidamente encontrei um local e me agachei, deixei o cano da
arma acompanhando o homem até que saísse. Ali fiquei por alguns instantes,
precisava de um bom plano, porém estava numa sinuca de bico, como dizia o
ditado. Se entrasse no porão, os cães alertariam o homem, também não poderia
pressionar o homem antes de saber o que havia ali dentro. Fui pela primeira
opção. Instinto.
Com um pé de cabra forcei a chapa de ferro que segurava o cadeado, fui
levantando a tampa bem devagar, estava escuro e só podia ouvir o som de um
choro abafado e o mastigar de dentes, os cães deviam estar se alimentando.
Nenhum grito. O odor fétido de uma mistura de detritos humanos e de animais
invadiu minhas narinas, quase vomitei, tapei o nariz, mas não iria conseguir
atirar com uma só mão, respirei bem fundo e prendi o ar. Seja o que Deus
quiser. Levantei a tampa, acendi a lanterna que segurava junto a trava de
repetição e quase caí de costas. Dois Rottweler negros se alimentavam do que
parecia ser um corpo destroçado, sem a cabeça e os membros. Os animais olharam
para mim e começaram a correr em minha direção. Um tiro e estourei a cabeça do
primeiro e atingi o peito do segundo, que retornou, outro disparo e finalizei.
O silêncio era tão grande que pude ouvir a porta da cabana sendo empurrada e o
som de passos vindo em direção do celeiro, desci as escadas e pude ver três
jaulas, aquelas utilizadas para grandes animais selvagens em circos ou safaris.
Um vazio e outros duas mulheres. Uma delas levantou a cabeça, que estava
escondida entre os braços e gritou por socorro. A outra não se moveu. Um grito alucinado
vindo de fora, vários tiros de uma automática e em seguida dois estrondos, que
me lembrava o som de um Colt 45. Esperei. Silêncio. Grito de Socorro. Estourei
o primeiro cadeado da jaula onde a mulher não se movia, toquei o lado do
pescoço e não senti a pulsação. Apesar dos anos de noticiários e fotos em
jornais sensacionalista, aquela visão me abalou e fiquei ali agachado tentando
me recompor. O coração estava acelerado e só voltei ao normal quando a outra
moça segurou as barras da jaula e pediu que a soltasse. Joguei a luz da
lanterna em seu rosto e apesar das marcas de agressão e a sujeira, vi que era a
moça que procurava. Quebrei o cadeado e abri, ela desmaiou em meus braços.
Estava nua e fria, mas viva. Levantei o corpo e coloquei em meu ombro para que
pudesse subir e ainda manter a arma em posição. Subi bem devagar os degraus e
espiei pela beirada da saída. Tudo tranquilo e silencioso. Empurrei a porta do
celeiro com o pé e dei uma olhada pela redondeza antes de sair. O homem estava
caído perto da porta e não vi mais ninguém próximo. Precisava verificar antes
de expor a moça, saí e a coloquei na caçamba da caminhonete, a cobri com a lona
e voltei a procurar por alguém. A escuridão impedia a minha visão mais
detalhada e fui até a porta dos fundos da cabana. O local estava iluminado por
vários lampiões colocados em algumas paredes. O cheiro era pior e mais intenso
que no celeiro. A visão que tive fez com que voltasse para a soleira e
vomitasse. Seis cabeças estavam condicionadas numa estante, como troféus, na
mesa uma coxa humana, assada e faltando pedaços estava sobre uma bandeja, duas
mãos dissecadas com sobras de carne nos ossos. Vomitei novamente. Precisava
sair dali o mais rápido possível. Notei que havia dois pratos, um de cada lado
da mesa. Ele tinha um comparsa.
Fui recuando e um clarão por detrás de uma cortina que separava outro
cômodo e um baque no meu peito me jogaram para fora da cabana. Fiquei aturdido,
mas consciente para poder ver o que parecia ser uma mulher, maltrapilha,
descabelada e segurando uma espingarda de cano longo, saindo do cômodo e vindo
em minha direção. A Shotgun estava longe do meu alcance, então saquei a Eagle
do coldre e disparei duas vezes, uma acertou no ombro e a outra atravessou os
cabelos pela lateral, não impedi que ela prosseguisse. Um novo tiro de
espingarda atingiu o assoalho da varanda próxima da minha cabeça. Dessa vez
mantive as mãos firmes e a mira em sua testa, acionei o gatilho e a bala
estourou a parte de trás da cabeça da mulher, derrubando-a. Acompanhei o corpo
inerte por debaixo da mesa e pude ver o tremor e depois parou. Deixei minha
cabeça tonta e com um zumbido no ouvido direito cair sobre o assoalho da
varanda.
Depois de alguns segundos me virei e apoiado nos braços fui me
levantando com dificuldades. Nesse momento valorizei os policiais que enfrentam
tiroteios com bandidos pela vida inteira. O peito ardia e respirava com
dificuldades e a arma pesava em minha mão. Foi então que vi ao lado da caçamba
da caminhonete, o vulto de um homem usando um chapéu de abas largas e um
sobretudo que balançava ao sabor do vento, ele parecia verificar a jovem,
tentei levantar o meu braço e apontar a arma, porém parecia que ela pesava uma
tonelada. Ele ficou de frente e sacou sua arma do coldre preso na coxa direita e
atirou, pensei que era o meu fim, contudo o baque e o estrondo de um tiro, que
arrancou parte do telhado da varanda me fizeram olhar para trás. Era o
motoqueiro que jazia com a viseira do capacete arrebentada e uma poça de sangue
se formava entre o capacete e o assoalho. As pernas fraquejaram e caí sentado.
O vulto girou o revólver no dedo indicador e o encaixou no coldre e foi se
aproximando e quando chegou na luminosidade que vinha da cabana, pude
enxergá-lo, senti um leve tremor percorrer meu corpo. Ele não tinha um rosto,
era apenas uma cabeça descarnada, como de um cadáver em decomposição, fiquei
estático esperando pelo pior, aliás o que mais poderia acontecer de pior. Ele
parou e enfiou sua mão no bolso do colete e jogou uma distintivo de prata sobre
o meu peito.
- Você mereceu, pode ser meu delegado. Disse ele com um sotaque interiorano
e foi saindo gargalhando.
Foi depois que entreguei a moça ao amigo de meu pai, foi que descobri a
história que ainda me gela a alma. Virgil Earp era o seu tataravô e havia sido
xerife em Goldfield, onde morrera de pneumonia.
O caso ficou sem solução para o FBI e para a polícia da região que
encontrara os corpos e nenhuma evidência que desse pistas do matador, para eles
fora algum vigilante que fizera a lei pelas próprias mãos. Preferi deixar
assim, aliás quem acreditaria em mim.
Todo ano, em 18 de outubro, viajo para Goldfield e faço uma visita ao
túmulo vazio de Virgil Earp, já que seu corpo fora translado para Portland no
Oregon a pedido da filha Nellie, sento-me ao lado da sepultura, uma oração de
agradecimento e dois copos de uísque.
Ainda, hoje, posso ouvir aquela gargalhada fantasmagórica toda vez que
resolvo um caso. A estrela, hoje, faz parte da minha vestimenta. “Deputy US
Marshal.”
Kiko Zampieri
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