26 de junho de 2010

AMOR NÃO SE PEDE


Amor é algo que não se pede

a gente pede um favor
a gente pede uma chance
a gente pede perdão
a gente mais
a gente pede bis

Mas amor, não; amor é algo que não se pede

a gente pede arrego
a gente pede pra sair
a gente pede pra voltar
a gente pede licença
a gente pede silêncio
a gente pede a palavra
mas o amor não se oferece a quem o pede

a gente pede desculpa
a gente pede pelo amor de deus
a gente pede trégua
a gente pede um minuto
a gente pede um tempo
a gente pede pra ver de novo

mas o amor só se dá pra quem ele quer

a gente pede compreensão
a gente pede atenção
a gente pede demissão
a gente pede revisão
a gente pede prazer e satisfação
a gente pede pra não ouvir um não

mas o amor não se pede

a gente pede um prato de comida
a gente pede um teto como abrigo
a gente pede algum sentido pra vida
a gente pede um ombro amigo
e nas noite de frio, a gente pede um pouco de calor

mas amor, não, não adianta; amor não é algo que se pede

20 de junho de 2010

SARAMAGO


JOSÉ DE SOUSA SARAMAGO - 1922 * / 2010 +





Um pouco do que ele nos deixou:

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar."

"Há situações na vida em que já tanto nos dá perder por dez como perder por cem, o que queremos é conhecer rapidamente a última soma do desastre, para depois, se tal for possível não voltarmos a pensar mais no assunto"



"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.

O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.

Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.

O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso
."


"Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida."


"Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir
."





"se tens um coração de ferro, bom proveito. o meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

11 de junho de 2010

DUO VOX

Recorta a singular inquietação

no reconfortante amparo amoroso.

Mãos afáveis aliviam o fervilhar

de pensamentos e angústias;

Carícias espontâneas e doces são experimentadas.

Vocábulos amorosos são rogados com uma ânsia febril.

O tempo é descartado e esquecido;

A calma, fragilmente, reina

e o leito serenar envolve o duplo serpentear de corpos.

A dormência que a volúpia semeia entre os amantes

iguala-se ao entorpecente aflorar de sentimentos

quase desconhecidos e intocados.

E nada mais importa;

A vida, nesse momento, explica-se.

Foge a razão e a dúvida

não mais perturba o coração amargurado.

A simplicidade fortifica-se e tudo, enfim,

torna-se mais compreensível e aceitável.

6 de junho de 2010

FRASES

"A amizade deveria ser algo completamente sem interesses, como nossos olhos. Eles piscam juntos, eles se movem juntos, eles choram juntos, eles vêem coisas juntos e eles dormem juntos, embora eles nunca vejam um ao outro, estão sempre juntos..." (Fernando Toscano)


"Quem olha pra fora, sonha; quem olha pra dentro, desperta" (Carl Young)


"Cuidado... ao dizer alguma coisa, cuide para que suas palavras não sejam piores que o seu silêncio"


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas imcomparáveis" (Fernando Pessoa)


"Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes"


"Não procure felicidade dentro de outro ser humano e sim dentro do seu próprio coração. Muitas vezes ela está tão perto que não conseguimos enxergá-la, pois o essencial é invisível aos olhos"


"A gente encontra o próprio estilo, quando não consegue fazer as coisas de outramaneira" (Paul Klee)


"O segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas querer sempre o que se faz" (Leon Tolstoi)


"É preciso viver, não apenas exixtir" (Plutarco)


"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos" (Luis de Camões)


"Não devemos tocar numa ferida se não temos com que curá-la" (Ernest Hello)


"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os levam muito, mas há os que não levam nada" (Kalil Gibram)

25 de maio de 2010

O QUE?

O que?
O que eu deveria ter dito, mas não disse, por não saber o que dizer, e que poderia ter mudado tudo?
E hoje, ao invés de um "não", talvez tivesse escutado um sim!

O que eu deveria ter feito e não fiz para que tudo desse certo?
E ao invés de uma frustração, eu teria orgulho de mim mesmo por ter feito a coisa certa

O que eu deveria ter pensado?
O que eu deveria ter deixado de fazer para que a coisa não desandasse como desandou?
O que eu deveria ter ouvido que me fizesse mudar de idéia e ter tomado a atitude mais sensata?

O que eu posso fazer agora, para que, daqui pra frente, as coisas possam ser diferentes?
O que eu devo ter como norte a seguir?
O que eu faço com as coisas que tenho e com as lembranças daquilo que perdi?

O que eu serei daqui cinco, dez, vinte anos?
O que eu quero agora, já que nada tenho?
E o que mais eu posso querer?

12 de maio de 2010

ÀS VEZES, NÓS TEMOS QUE CHEGAR À CONCLUSÃO
QUE TUDO AQUILO QUE NÓS MENOS QUEREMOS
É EXATAMENTE AQUILO QUE MAIS PRECISAMOS
NO MOMENTO

7 de maio de 2010

ANDO

Ando cada vez mais dormindo menos, cochilando mais e deixando de ter sonhos
Ando cada mais cétido e menos crítico, mais cítrico, porém menos ácido (se é que isso é possível)
Ando perdendo todas as ilusões, todas; toda a ingenuidade, e todas as certezas
Ando perdendo os medos
medo de ficar sozinho;


medo de não conseguir o que quero; medo de querer
medo da morte; medo do próprio medo e dos segredos não-revelados
Ando tendo menos tempo e mais paciência; mais consciência, mais dúvidas e menos pretensão de dissolvê-las
Ando me acostumando a não saber das coisas e de ser surpreendido por minha ignorância.
Ando me acostumando a sofrer calado e rir de mim mesmo



Ando revendo meus conceitos e descobrindo que, na maioria das vezes, melhor mesmo é não ter conceito sobre nada, nem ninguém
Ando querendo menos, e sabendo reconhecer o que ganhei com o tempo e com a vida
Ando percebendo que a vida é indecifrável; uma simples pergunta sem resposta
Ando concluíndo que dois mais dois há tempos deixou de ser quatro, ora é cinco, ora é três, ora é zero...
Ando dando mais graças à Deus
Ando dando mais valor ao silêncio e ao que ele me diz
Ando tentando aprender a conviver com o que me falta
Ando descobrindo que o caminho por ande trilho não tem fim, nunca teve; eu que estive a me iludir esse tempo todo.


15 de abril de 2010

PLATÔNICOS

Acabei de lançar meu primeiro livro via site Clube dos Autores. O livro tem o título de PLATÔNICOS e se trata de um romance policial; uma história rápida, de um só fôlego. Escrito em 12 dias. Espero que possam conferir, e gostar do resultado. Eu, particularmente, me diverti muito escrevendo.

Esta é a capa:




E este é o link do site onde é possível encontrar meu livro:

http://clubedeautores.com.br/book/18269--PLATONICOS


Vou criar um link para maiores informações sobre o livro. Por enquanto, o que queria mesmo era compartilhar com todos essa notícia.

até!

10 de abril de 2010

30

Eles chegaram.
E não é que eles chegaram?
Chegaram como quem não quer nada; como algo inevitável.
E o que faço com eles? Com esses 30?
Me pergunto: o que fiz com os 29 anteriores?
O que farei?
Preciso me preocupar em fazer algo?
E o que eles querem que eu faça?
No lo se

3 de abril de 2010

AMOR V

“Oh, sim, parece que ele sim que vem vindo”

“Talvez seja”

“É claro que eu não sei ao certo como ele é”

“Ninguém sabe; eu também não”

“Mas se não for, é algo bem parecido”

“Mas é provável que seja”

“Dizem que ele é assim”

“É, e é sempre do mesmo jeito”

“Dizem que ele chega quando menos se espera”

“É e que ninguém está livre de ser pego por ele”

“Ele tira o sono”

“E o apetite”

“Ele faz palpitar o coração”

“E quase sempre mexe com o juízo”

“Ele transforma defeito em virtude”

“E virtude em divindade”

“Ele faz do mundo um lugar diferente”

“E é, muitas vezes, causador de muitas tragédias”

“Sem ele muitos dizem que não podem viver”

“E em nome dele muitos crimes são cometidos”

“Ele é chamado de sal da terra”

“Ele é um veneno para corações frágeis”

“Sem dúvida que é ele que vem chegando”

“E o que podemos fazer?”

“Como sempre, não podemos fazer nada”

“Mas deve haver algo que possa ser feito”

“E o que poderíamos fazer nós, mente e espírito diante do coração?”

“Sei, somos reféns”

“Triste sina a nossa!”.

AMOR IV

"Love is a temple
Love is a higher law
"

música ONE do grupo U2

24 de março de 2010

AMOR III

Olhos semicerrados, gemidos desejosos

Suspiros dobrados, dúvidas insolúveis

anseios, angústias

prazeres efêmeros

sonhos reais, realidade onírica

saudade imortal e distúrbios morais

6 de março de 2010

AMOR I

Amor em tempos de crise

com oscilações financeiras e gestos filantrópicos

Amor em tempos de ódio

com atentados assassinos e suicídios silenciosos

Amor em tempos de dor

com divisões e fronteiras, lágrimas e desilusões

Amor em tempos de ignorância

com indistintos destinos e chacinas analfabetas

Amor em tempos de destemperança

com intolerância, terror e sonhos interrompidos

Amor em tempos de indolência

com alheamento e frieza, beijos e sorrisos falsos

Amor em tempos platônicos

com distância e silêncio, sufocamento e angústia

Amor em tempos de exceção

com armas, duras palavras e sobrancelhas eriçadas

20 de fevereiro de 2010

O SEMINARISTA E A ROSA DO POVO

O SEMINARISTA





Novo romance de um dos maiores escritores brasileiros, o Rubem Fonseca, o livro O Seminarista, é um romance policial rápido de se ler e delicioso de se apreciar. Muito bom ver que o tempo só melhora e torna mais apurada a qualidade literária de um gênio com este.


A ROSA DO POVO



Esse livro é, possivelmente, o melhor livro de poesia que li. É simplesmente lindo e toca sensivelmente na alma de quem busca por si mesmo, por sua real personalidade. Muito lirismo e versos precisos do poeta indestrutível.

Recomendo essas duas obras tão distintas, de autores tão talentosos.

25 de janeiro de 2010

A ÚLTIMA VEZ

Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva?

Quando foi a última vez que você andou descalço na rua?

Quando foi a última vez que você fez o que quis e não o que disseram que tinha que fazer?

Quando foi a última vez que você se masturbou sem sentir-se vazio após o orgasmo?

Quando foi a última vez que você cedeu o seu lugar para alguém que achou precisar mais do que você?

Quando foi a última vez que você sonhou acordado?

Quando foi a última vez que se viu obrigado a mentir por achar que a verdade machucaria alguém?

Quando foi a última vez que você disse “se deus quiser!”?

Qual foi a última vez que você rezou?

Qual foi a última vez que você amou de verdade?

Qual foi a última vez que você desejou que algo de ruim acontecesse com alguém de quem você não gosta?

Qual foi a última vez que você disse “eu te amo” sem achar que não estava sendo realmente sincero?

Qual foi a última vez que você se lambuzou comendo manga?

Qual foi a última vez que você acordou desejando ser outra pessoa?

Qual foi a última vez que você quis permanecer deitado um pouco mais antes de quer que levantar para trabalhar?

Qual foi a última vez que você, antes de cair no sono, se perguntou o que estava fazendo nesse mundo?

Qual foi a última vez que você perdeu a fé?

Qual foi a última vez que você cantarolou um canção qualquer em voz alta?

Qual foi a última vez que você andou sem rumo, perdido?

Qual foi a última vez que você disse “essa é a última vez”

Qual foi a última vez que você achou que iria morrer?

Qual foi a última vez que você achou ter encontrado o amor da sua vida, mas era engano?

Qual foi a sua última vez?

20 de janeiro de 2010

ANDAR CONMIGO

(Julieta Venegas)

Hay tanto que quiero contarte
hay tanto que quiero saber de ti,
ya podemos empezar poco a poco
cuéntame que te trae por aquí.

No te asustes de decirme la verdad
eso nunca puede estar así tan mal
yo también tengo secretos para darte
y que sepas que no me sirven mas.

Hay tantos caminos por andar...

Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...

Estoy ansiosa por soltarlo todo
desde el principio hasta llegar al día de hoy;
una historia tengo aquí para entregarte,
una historia todavía sin final

Podríamos decirnos cualquier cosa
incluso darnos para siempre un siempre no,
pero ahora frente a frente aquí sentados
festejemos que la vida nos cruzo
Hay tantos caminos por andar...

Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...

Si quisieras andar conmigo...

16 de janeiro de 2010

SONHOS

Digam-me, o que fazemos com os sonhos que não se realizam?

Sonhos irrealizados não somem, não se desfazem, se esfumaçam ou evaporam. Alguns sonhos se despedaçam, mas seus pedaços continuam presentes na atmosfera da memória, com seus estilhaços fincados na alma da infeliz criatura.

O que fazemos com esses sonhos?

Existem algumas medidas paleativas, algumas ações, atitudes e movimentos que fazemos para conter o impacto destrutivo de um sonho que não se realizou. uma dessas medidas é o adiamento. Adiamos os sonhos; nos convencemos que num futuro não muito distante, estes sonhos se farão presente.

mas chega um ponto em que não seguramos mais as pontas, o sonho empedra, nos desapontamos, e o que era esperança se transforma num vazio sem som. E o sonho vira um tótem gigante, uma esfinge que nos encara e pergunta: "o que fazer agora?".

E então, o que fazemos com os sonhos que não se realizam?

O que fazemos com esses sonhos cheios de som e fúria? O que fazemos com esses sonhos de eterna juventude e amor pra toda vida? O que fazemos com esses sonhos de mar de rosas? O que fazemos com esses sonhos de uma noite de verão shekespereana? O que fazemos com esses sonhos paradisíacos de virgens amorosas que esperam por seus homens-bomba? O que fazemos com esses sonhos de milagres de crescimento econômico do país do futuro? O que fazemos com esses sonhos que entopem armários e consciências?

O que fazemos com os sonhos que não se realizam?

Digam-me

9 de janeiro de 2010

2010

Mais um ano que se inicia, já parecendo meio passado
Ano de copa, de eleições e todo tipo de coisas que parecem não nos dizer respeito
Espera-se, deseja-se e até vaticinam coisas boas
Porque as coisas ruins parece que já são sabidas e esperadas
Que esse ano novo seja novo em tudo:
Nas intenções honestas e possíveis
Nas atitudes sensatas e comedidas
Na proposta de se arrumar o que está errado
e manter no prumo que já estava se ajeitando

Que esse ano, mais do que novo,
que ele seja bom e próspero para todos