26 de junho de 2010
AMOR NÃO SE PEDE
20 de junho de 2010
SARAMAGO

O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir."

11 de junho de 2010
DUO VOX
Recorta a singular inquietação
no reconfortante amparo amoroso.
Mãos afáveis aliviam o fervilhar
de pensamentos e angústias;
Carícias espontâneas e doces são experimentadas.
Vocábulos amorosos são rogados com uma ânsia febril.
O tempo é descartado e esquecido;
A calma, fragilmente, reina
e o leito serenar envolve o duplo serpentear de corpos.
A dormência que a volúpia semeia entre os amantes
iguala-se ao entorpecente aflorar de sentimentos
quase desconhecidos e intocados.
E nada mais importa;
A vida, nesse momento, explica-se.
Foge a razão e a dúvida
não mais perturba o coração amargurado.
A simplicidade fortifica-se e tudo, enfim,
torna-se mais compreensível e aceitável.
6 de junho de 2010
FRASES
"Quem olha pra fora, sonha; quem olha pra dentro, desperta" (Carl Young)
"Cuidado... ao dizer alguma coisa, cuide para que suas palavras não sejam piores que o seu silêncio"
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas imcomparáveis" (Fernando Pessoa)
"Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes"
"Não procure felicidade dentro de outro ser humano e sim dentro do seu próprio coração. Muitas vezes ela está tão perto que não conseguimos enxergá-la, pois o essencial é invisível aos olhos"
"A gente encontra o próprio estilo, quando não consegue fazer as coisas de outramaneira" (Paul Klee)
"O segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas querer sempre o que se faz" (Leon Tolstoi)
"É preciso viver, não apenas exixtir" (Plutarco)
"Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos" (Luis de Camões)
"Não devemos tocar numa ferida se não temos com que curá-la" (Ernest Hello)
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os levam muito, mas há os que não levam nada" (Kalil Gibram)
31 de maio de 2010
25 de maio de 2010
O QUE?
O que eu deveria ter dito, mas não disse, por não saber o que dizer, e que poderia ter mudado tudo?
E hoje, ao invés de um "não", talvez tivesse escutado um sim!
O que eu deveria ter feito e não fiz para que tudo desse certo?
E ao invés de uma frustração, eu teria orgulho de mim mesmo por ter feito a coisa certa
O que eu deveria ter pensado?
O que eu deveria ter deixado de fazer para que a coisa não desandasse como desandou?
O que eu deveria ter ouvido que me fizesse mudar de idéia e ter tomado a atitude mais sensata?
O que eu posso fazer agora, para que, daqui pra frente, as coisas possam ser diferentes?
O que eu devo ter como norte a seguir?
O que eu faço com as coisas que tenho e com as lembranças daquilo que perdi?
O que eu serei daqui cinco, dez, vinte anos?
O que eu quero agora, já que nada tenho?
E o que mais eu posso querer?
12 de maio de 2010
7 de maio de 2010
ANDO
Ando cada mais cétido e menos crítico, mais cítrico, porém menos ácido (se é que isso é possível)
Ando perdendo todas as ilusões, todas; toda a ingenuidade, e todas as certezas
Ando perdendo os medos
medo de ficar sozinho;

medo de não conseguir o que quero; medo de querer
medo da morte; medo do próprio medo e dos segredos não-revelados
Ando tendo menos tempo e mais paciência; mais consciência, mais dúvidas e menos pretensão de dissolvê-las
Ando me acostumando a não saber das coisas e de ser surpreendido por minha ignorância.
Ando me acostumando a sofrer calado e rir de mim mesmo

Ando revendo meus conceitos e descobrindo que, na maioria das vezes, melhor mesmo é não ter conceito sobre nada, nem ninguém
Ando querendo menos, e sabendo reconhecer o que ganhei com o tempo e com a vida
Ando percebendo que a vida é indecifrável; uma simples pergunta sem resposta
Ando concluíndo que dois mais dois há tempos deixou de ser quatro, ora é cinco, ora é três, ora é zero...
Ando dando mais graças à Deus
Ando dando mais valor ao silêncio e ao que ele me diz
Ando tentando aprender a conviver com o que me falta
Ando descobrindo que o caminho por ande trilho não tem fim, nunca teve; eu que estive a me iludir esse tempo todo.
15 de abril de 2010
PLATÔNICOS
Esta é a capa:
E este é o link do site onde é possível encontrar meu livro:
Vou criar um link para maiores informações sobre o livro. Por enquanto, o que queria mesmo era compartilhar com todos essa notícia.
até!
10 de abril de 2010
30
E não é que eles chegaram?
Chegaram como quem não quer nada; como algo inevitável.
E o que faço com eles? Com esses 30?
Me pergunto: o que fiz com os 29 anteriores?
O que farei?
Preciso me preocupar em fazer algo?
E o que eles querem que eu faça?
No lo se
3 de abril de 2010
AMOR V
“Oh, sim, parece que ele sim que vem vindo”
“Talvez seja”
“É claro que eu não sei ao certo como ele é”
“Ninguém sabe; eu também não”
“Mas se não for, é algo bem parecido”
“Mas é provável que seja”
“Dizem que ele é assim”
“É, e é sempre do mesmo jeito”
“Dizem que ele chega quando menos se espera”
“É e que ninguém está livre de ser pego por ele”
“Ele tira o sono”
“E o apetite”
“Ele faz palpitar o coração”
“E quase sempre mexe com o juízo”
“Ele transforma defeito em virtude”
“E virtude em divindade”
“Ele faz do mundo um lugar diferente”
“E é, muitas vezes, causador de muitas tragédias”
“Sem ele muitos dizem que não podem viver”
“E em nome dele muitos crimes são cometidos”
“Ele é chamado de sal da terra”
“Ele é um veneno para corações frágeis”
“Sem dúvida que é ele que vem chegando”
“E o que podemos fazer?”
“Como sempre, não podemos fazer nada”
“Mas deve haver algo que possa ser feito”
“E o que poderíamos fazer nós, mente e espírito diante do coração?”
“Sei, somos reféns”
“Triste sina a nossa!”.
24 de março de 2010
AMOR III
Olhos semicerrados, gemidos desejosos
Suspiros dobrados, dúvidas insolúveis
anseios, angústias
prazeres efêmeros
sonhos reais, realidade onírica
saudade imortal e distúrbios morais
20 de março de 2010
6 de março de 2010
AMOR I
Amor em tempos de crise
com oscilações financeiras e gestos filantrópicos
Amor em tempos de ódio
com atentados assassinos e suicídios silenciosos
Amor em tempos de dor
com divisões e fronteiras, lágrimas e desilusões
Amor em tempos de ignorância
com indistintos destinos e chacinas analfabetas
Amor em tempos de destemperança
com intolerância, terror e sonhos interrompidos
Amor em tempos de indolência
com alheamento e frieza, beijos e sorrisos falsos
Amor em tempos platônicos
com distância e silêncio, sufocamento e angústia
Amor em tempos de exceção
com armas, duras palavras e sobrancelhas eriçadas
20 de fevereiro de 2010
O SEMINARISTA E A ROSA DO POVO

Novo romance de um dos maiores escritores brasileiros, o Rubem Fonseca, o livro O Seminarista, é um romance policial rápido de se ler e delicioso de se apreciar. Muito bom ver que o tempo só melhora e torna mais apurada a qualidade literária de um gênio com este.
A ROSA DO POVO

Esse livro é, possivelmente, o melhor livro de poesia que li. É simplesmente lindo e toca sensivelmente na alma de quem busca por si mesmo, por sua real personalidade. Muito lirismo e versos precisos do poeta indestrutível.
Recomendo essas duas obras tão distintas, de autores tão talentosos.
25 de janeiro de 2010
A ÚLTIMA VEZ
Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva?
Quando foi a última vez que você andou descalço na rua?
Quando foi a última vez que você fez o que quis e não o que disseram que tinha que fazer?
Quando foi a última vez que você se masturbou sem sentir-se vazio após o orgasmo?
Quando foi a última vez que você cedeu o seu lugar para alguém que achou precisar mais do que você?
Quando foi a última vez que você sonhou acordado?
Quando foi a última vez que se viu obrigado a mentir por achar que a verdade machucaria alguém?
Quando foi a última vez que você disse “se deus quiser!”?
Qual foi a última vez que você rezou?
Qual foi a última vez que você amou de verdade?
Qual foi a última vez que você desejou que algo de ruim acontecesse com alguém de quem você não gosta?
Qual foi a última vez que você disse “eu te amo” sem achar que não estava sendo realmente sincero?
Qual foi a última vez que você se lambuzou comendo manga?
Qual foi a última vez que você acordou desejando ser outra pessoa?
Qual foi a última vez que você quis permanecer deitado um pouco mais antes de quer que levantar para trabalhar?
Qual foi a última vez que você, antes de cair no sono, se perguntou o que estava fazendo nesse mundo?
Qual foi a última vez que você perdeu a fé?
Qual foi a última vez que você cantarolou um canção qualquer em voz alta?
Qual foi a última vez que você andou sem rumo, perdido?
Qual foi a última vez que você disse “essa é a última vez”
Qual foi a última vez que você achou que iria morrer?
Qual foi a última vez que você achou ter encontrado o amor da sua vida, mas era engano?
Qual foi a sua última vez?
20 de janeiro de 2010
ANDAR CONMIGO
(Julieta Venegas)
Hay tanto que quiero contarte
hay tanto que quiero saber de ti,
ya podemos empezar poco a poco
cuéntame que te trae por aquí.
No te asustes de decirme la verdad
eso nunca puede estar así tan mal
yo también tengo secretos para darte
y que sepas que no me sirven mas.
Hay tantos caminos por andar...
Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Estoy ansiosa por soltarlo todo
desde el principio hasta llegar al día de hoy;
una historia tengo aquí para entregarte,
una historia todavía sin final
Podríamos decirnos cualquier cosa
incluso darnos para siempre un siempre no,
pero ahora frente a frente aquí sentados
festejemos que la vida nos cruzo
Hay tantos caminos por andar...
Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Si quisieras andar conmigo...
16 de janeiro de 2010
SONHOS
Digam-me, o que fazemos com os sonhos que não se realizam?
Sonhos irrealizados não somem, não se desfazem, se esfumaçam ou evaporam. Alguns sonhos se despedaçam, mas seus pedaços continuam presentes na atmosfera da memória, com seus estilhaços fincados na alma da infeliz criatura.
O que fazemos com esses sonhos?
Existem algumas medidas paleativas, algumas ações, atitudes e movimentos que fazemos para conter o impacto destrutivo de um sonho que não se realizou. uma dessas medidas é o adiamento. Adiamos os sonhos; nos convencemos que num futuro não muito distante, estes sonhos se farão presente.
mas chega um ponto em que não seguramos mais as pontas, o sonho empedra, nos desapontamos, e o que era esperança se transforma num vazio sem som. E o sonho vira um tótem gigante, uma esfinge que nos encara e pergunta: "o que fazer agora?".
E então, o que fazemos com os sonhos que não se realizam?
O que fazemos com esses sonhos cheios de som e fúria? O que fazemos com esses sonhos de eterna juventude e amor pra toda vida? O que fazemos com esses sonhos de mar de rosas? O que fazemos com esses sonhos de uma noite de verão shekespereana? O que fazemos com esses sonhos paradisíacos de virgens amorosas que esperam por seus homens-bomba? O que fazemos com esses sonhos de milagres de crescimento econômico do país do futuro? O que fazemos com esses sonhos que entopem armários e consciências?
O que fazemos com os sonhos que não se realizam?
Digam-me
9 de janeiro de 2010
2010
Ano de copa, de eleições e todo tipo de coisas que parecem não nos dizer respeito
Espera-se, deseja-se e até vaticinam coisas boas
Porque as coisas ruins parece que já são sabidas e esperadas
Que esse ano novo seja novo em tudo:
Nas intenções honestas e possíveis
Nas atitudes sensatas e comedidas
Na proposta de se arrumar o que está errado
e manter no prumo que já estava se ajeitando
Que esse ano, mais do que novo,
que ele seja bom e próspero para todos
