"Love is a temple
Love is a higher law"
música ONE do grupo U2
Olhos semicerrados, gemidos desejosos
Suspiros dobrados, dúvidas insolúveis
anseios, angústias
prazeres efêmeros
sonhos reais, realidade onírica
saudade imortal e distúrbios morais
Amor em tempos de crise
com oscilações financeiras e gestos filantrópicos
Amor em tempos de ódio
com atentados assassinos e suicídios silenciosos
Amor em tempos de dor
com divisões e fronteiras, lágrimas e desilusões
Amor em tempos de ignorância
com indistintos destinos e chacinas analfabetas
Amor em tempos de destemperança
com intolerância, terror e sonhos interrompidos
Amor em tempos de indolência
com alheamento e frieza, beijos e sorrisos falsos
Amor em tempos platônicos
com distância e silêncio, sufocamento e angústia
Amor em tempos de exceção
com armas, duras palavras e sobrancelhas eriçadas


Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva?
Quando foi a última vez que você andou descalço na rua?
Quando foi a última vez que você fez o que quis e não o que disseram que tinha que fazer?
Quando foi a última vez que você se masturbou sem sentir-se vazio após o orgasmo?
Quando foi a última vez que você cedeu o seu lugar para alguém que achou precisar mais do que você?
Quando foi a última vez que você sonhou acordado?
Quando foi a última vez que se viu obrigado a mentir por achar que a verdade machucaria alguém?
Quando foi a última vez que você disse “se deus quiser!”?
Qual foi a última vez que você rezou?
Qual foi a última vez que você amou de verdade?
Qual foi a última vez que você desejou que algo de ruim acontecesse com alguém de quem você não gosta?
Qual foi a última vez que você disse “eu te amo” sem achar que não estava sendo realmente sincero?
Qual foi a última vez que você se lambuzou comendo manga?
Qual foi a última vez que você acordou desejando ser outra pessoa?
Qual foi a última vez que você quis permanecer deitado um pouco mais antes de quer que levantar para trabalhar?
Qual foi a última vez que você, antes de cair no sono, se perguntou o que estava fazendo nesse mundo?
Qual foi a última vez que você perdeu a fé?
Qual foi a última vez que você cantarolou um canção qualquer em voz alta?
Qual foi a última vez que você andou sem rumo, perdido?
Qual foi a última vez que você disse “essa é a última vez”
Qual foi a última vez que você achou que iria morrer?
Qual foi a última vez que você achou ter encontrado o amor da sua vida, mas era engano?
Qual foi a sua última vez?
ANDAR CONMIGO
(Julieta Venegas)
Hay tanto que quiero contarte
hay tanto que quiero saber de ti,
ya podemos empezar poco a poco
cuéntame que te trae por aquí.
No te asustes de decirme la verdad
eso nunca puede estar así tan mal
yo también tengo secretos para darte
y que sepas que no me sirven mas.
Hay tantos caminos por andar...
Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Estoy ansiosa por soltarlo todo
desde el principio hasta llegar al día de hoy;
una historia tengo aquí para entregarte,
una historia todavía sin final
Podríamos decirnos cualquier cosa
incluso darnos para siempre un siempre no,
pero ahora frente a frente aquí sentados
festejemos que la vida nos cruzo
Hay tantos caminos por andar...
Dime si tú quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Cuéntame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh...
Si quisieras andar conmigo...
Digam-me, o que fazemos com os sonhos que não se realizam?
Sonhos irrealizados não somem, não se desfazem, se esfumaçam ou evaporam. Alguns sonhos se despedaçam, mas seus pedaços continuam presentes na atmosfera da memória, com seus estilhaços fincados na alma da infeliz criatura.
O que fazemos com esses sonhos?
Existem algumas medidas paleativas, algumas ações, atitudes e movimentos que fazemos para conter o impacto destrutivo de um sonho que não se realizou. uma dessas medidas é o adiamento. Adiamos os sonhos; nos convencemos que num futuro não muito distante, estes sonhos se farão presente.
mas chega um ponto em que não seguramos mais as pontas, o sonho empedra, nos desapontamos, e o que era esperança se transforma num vazio sem som. E o sonho vira um tótem gigante, uma esfinge que nos encara e pergunta: "o que fazer agora?".
E então, o que fazemos com os sonhos que não se realizam?
O que fazemos com esses sonhos cheios de som e fúria? O que fazemos com esses sonhos de eterna juventude e amor pra toda vida? O que fazemos com esses sonhos de mar de rosas? O que fazemos com esses sonhos de uma noite de verão shekespereana? O que fazemos com esses sonhos paradisíacos de virgens amorosas que esperam por seus homens-bomba? O que fazemos com esses sonhos de milagres de crescimento econômico do país do futuro? O que fazemos com esses sonhos que entopem armários e consciências?
O que fazemos com os sonhos que não se realizam?
Digam-me
E vamos, pouco a pouco, nos enchendo de um vazio que não é preenchido mais facilmente, num desconfortável acomodamento e num estado de desesperança e de vitimização no atual estado das coisas.

Acho que, de certa forma, essa é uma forma de escapismo; se pôr na condição de vítima, de inocente, de perseguido pela vida e por seus acontecimentos. Na realidade, cruéis somos nós conosco; é mais cômodo talvez reclamar do que nos acontece do que aquilo que fazemos para que nos aconteça o que nos acomete. Pensei nisso quando andava pelas ruas e vi um homem parado, fumando, e presa à sua cintura havia uma sonda, já com um pouco de líquido amarelo. Pensei nas coisas da minha vida, nas coisas e sentimentos ruins, nesse meu vazio, nesse meu desamor, nessa minha dolorosa solidão, e pensei que, se além de tudo, eu ainda tivesse que usar um troço daquele na minha cintura, sugando minha urina, ou se eu não tivesse parte do meu corpo, se fosse cego, ou paraplégico, ou qualquer outro tipo de deficiência ou infortúnio que deus, vez por outra, por seus misteriosos e insondáveis motivos nos impõe.

Nessas horas a gente se sente até mal por ver que nossos problemas são menores do que os vemos. É claro que todos temos o direito de nos sentirmos mal, tristes e melancólicos. Se temos o direito de sermos felizes, também temos o direito de nos resguardar na dor e na amargura que nos toma o coração em certos momentos da vida.

Detesto quem diz que temos de ser alegres só porque existem pessoas em situações piores e continuam alegres e felizes. Sinceramente, o que os outros sentem não me interessa, assim como, já percebi, não interessa aos outros o meu sofrimento; pelo contrário, cada vez mais as pessoas estão se fechando em seus mundinhos egoístas e pouco se importando com o mundo ao redor.
Mas, sempre é bom ver o mundo com um olhar mais amplo, vendo o todo, assim, quem sabe, às vezes, a gente possa relativizar as coisas que parecem tão ruins.
É possível rir de tudo, inclusive, e principalmente, das nossas próprias agruras.








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