31 de dezembro de 2006
Retrospectiva remissiva
23 de dezembro de 2006
Proposta Natalina
Ao invés de comprar um tênis nike, por que não comprar um livro?
Ao invés de roupa, bijuteria, eletroeletrônicos, perfume e calçados, por que não encher a árvore de natal de livros, amigos, sonhos e serenidade?
E se não lhe custar nada, no dia 25, abra um pouco o coração e preste uma homenagem ao ilustre aniversariante em questão. Os que nele acreditarem, é claro.
Até.
18 de dezembro de 2006
O MESTRE

Depois de três anos sem lançar uma obra inédita, o mestre Carlos Heitor Cony volta à carga com mais uma obra genial, com um humor que se compara a outras obras anteriores como O PIANO E A ORQUESTRA e PILATOS. Dessa vez ele vem com O ADIANTADO DA HORA, uma, como ele mesmo definiu, rapsóodia & farsa, cheia de personagens exóticos, lendários, como só o maior autor que já li poderia criar, e criou. Mais de oitenta anos de vida, quinze romances lançados, quatro vezes vencedor do prêmio Jabuti, duas vezes o de Livro do Ano, pela Câmara Brasileira do Livro, prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, Pêmio Nacional Nestlê de Literatura e membro da Academia Brasileira de Letras, é autor de verdadeiras obras-primas da literatura brasileira onde imperam a decepção, um amargor deliciosamente temperado de ironia e humor, fúria e ressentimento. Cony é um autor brasileiro, mundial, clássico, de uma densidade psicológica, que faz um retrato perfeito de si e do mundo que lhe cerca. Tomei conhecimento de sua obra da maneira mais espontânea possível, numa livraria, aleatoriamente peguei um livro de bela capa de uma nova edição; e esse livro era justamente o mais louco de todos, PILATOS. Daí pra frente, fui seduzido e corri atrás do tempo perdido. E se acaso alguém ainda não teve esse privilégio de lê-lo, por desconhecê-lo ou por não ter nenhum interesse específico, eu recomendo com todas as honrarias que não percam mais tempo e mergulhem nesse universo maravilhoso que é a literatura de CARLOS HEITOR CONY.
Outras obras do MESTRE:
O VENTRE; ANTES, O VERÃO; PILATOS; MATÉRIA DE MEMÓRIA; O PIANO E A ORQUESTRA; QUASE MEMÓRIA; INFORMAÇÃO AO CRUCIFICADO; BALÉ BRANCO; PESSAH: A TRAVESSIA; TIJOLO DE SEGURANÇA; A VERDADE DE CADA DIA; A CASA DO POETA TRÁGICO; A TARDE DA SUA AUSÊNCIA; ROMANCE SEM PALAVRAS
Entre muitos outros...
14 de dezembro de 2006
Paranóia
Pode-se negar a existência desses fantasmas, mas eles existem crendo-se em sua existência ou não; eles dão ordens, fazem perguntas, sugerem loucuras, pedem o que você não pode dar, suplicam uma nova chance, ofendem aos berros, reclamam de tudo e todos, dão sugestões, dizem o que fariam se estivessem no meu lugar, me chamam de covarde, de tolo; dizem que não há mais tempo. Eles dizem que o barulho que vem do céu é do avião que está prestes a cair na minha cabeça; dizem que alguém pode me empurrar na linha do trem se eu ficar em cima daquela linha amarela; eles dizem que algum carro desgovernado pode invadir o ponto de ônibus onde estou e me atropelar. Eles gostam de me pôr medo. E antes do amanhecer chegar eles vão se indo, desaparecendo sem que eu saiba precisar quando eles me deixam só, mas com a certeza de que, quando a noite chegar, lá estarão eles novamente me atormentando a alma, fustigando meu espírito e espicaçando minhas poucas certezas. Esses fantasmas são mais paranóicos do que eu mesmo.
10 de dezembro de 2006
Primeiras Audições

Nas primeiras audições do novo disco de GOG, AVISO ÀS GERAÇÕES... é possível se constatar o grau de consciência política, social e de linguagem do rapper brasiliense. Impossível não ser tocado pela faixa extremamente emotiva QUANDO O PAI SE VAI...; ou não se ligar na mensagem da primeira faixa MALCOLM "X" FOI À MECA... GOG AO NORDESTE. Mas do que raiva e revolta, desconsolo, culpa e pessimismo, GOG prefere olhar pra frente, passar uma mensagem centrada na razão e no coração de cada um daqueles que o ouvem. Vale muito a penar ouvir e conhecer este que, na minha opinião, é um dos maiores, senão o maior, nome do rap no Brasil.
5 de dezembro de 2006
O Tratado do Babaovismo 6
- É infantilizado, sempre acha que ainda tem doze anos de idade;
- É invejoso; não se agüenta de recalque ao ver um colega ter sucesso em algo que ele não consegue;
- Ama o que faz, só que, o que ele faz, é ser espírito de porco;
- É covarde e dissimulado; tem profundo medo de quem lhe parece superior;
- É paupiteiro, gosta de dar pitacos no serviço alheio;
- Mesmo sendo um completo desconhecido, o baba-ovo acha que pode ser íntimo e te tratar como um amigo de infância;
Paro por aqui este pequeno tratado, não por falta de assunto (esta é uma fonte inesgotável), mas sim por já estar de saco cheio de todos os baba-ovos que me rodeiam no meu trabalho (e fora dele também). Mesmo curto, este tratado serve para dar uma idéia do que sejam os baba-ovos, embora seja até desnecessário, pois todos nós, alguma vez na vida, já topamos com um baba-ovo.
3 de dezembro de 2006
O Tratado do Babaovismo 5
- Se sacrifica em troca de migalhas: uma promoção, um tratamento diferenciado por parte do chefe, um elogio insignificante, etc.;
- Faz de tudo para agradar quando quer algo em troca, nem que seja só atenção;
- Joga um verde: tece comentários maliciosos sobre determinada pessoa e espera que você faça o mesmo para que ele faça o seu joguinho de entrigas;
- Tem a mente insondável, nunca se sabe o que ele realmente está pensando;
- Costuma ficar sempre do lado da empresa do que dos funcionários; pensa mais no dono da empresa do que em si próprio;
- Não tem muitos amigos fora da empresa, não tem muito o que fazer fora da empresa; na verdade, o baba-ovo não tem vida própria fora da empresa, é por isso que ele é um baba-ovo;
Continua...
1 de dezembro de 2006
O Tratado do Babaovismo 4
- Outorga para si a autoridade de chefe quando este não está presente; mas quando o chefe chega, o baba-ovo põe o rabo entre as pernas e se recolhe à sua insignificancia;
- Detesta o silêncio, gosta de tagarelar suas idiotices nos ouvidos de todos, até que a paciência de todos se esgote;
- Gosta se meter na vida pessoal dos seus colegas de trabalho;
- Se regojiza ao ver outra pessoal se dando mal ou em apuros e nada faz para ajudar;
- Sempre toma a iniciativa quando o assunto é mostrar serviço ao chefe sem que essa iniciativa signifique realmente uma eficiência no serviço;
- Tem o hábito de pôr a culpa nos outros pelos erros cometidos por ele;
Continua...
29 de novembro de 2006
O Tratado do Babaovismo 3
- Nunca admite cansaço, fraqueza ou inaptidão; quer sempre parecer disposto e competente;
- Pode até te ajudar, mas antes faz questão de tentar te ridicularizar diante das demais pessoas;
- Gosta de fazer gracinhas que só ele acha legais, como botar apelidos nos outros e contar piadinhas repetidas que ninguém aguenta mais ouvir;
- Se esforça ao máximo para chamar a atenção, para isso ele fala alto, mostra os dentes em risadas escandalosas e anda balançando o corpo exageradamente;
- Tenta convencer a si próprio que o seu chefe lhe concede um tratamento especial, melhor do que aos outros funcionários;
- É alcaguete; espera a menor chance que apareça para fazer entrigas entre os colegas e dos colegas com o chefe;
Continua...
27 de novembro de 2006
O Tratado do Babaovismo 2
- Faz de tudo para boicotar os outros e promover a si próprio;
- Costuma botar pressão nos novatos, tentando amendrontá-los, transformando algo simples num bicho de sete cabeças;
- Se abre todo quando o chefe faz alguma graça sem graça;
- É dissimulado; tem o hábito de fazer entriga entres as pessoas ao seu redor
- Reclama dos outros como se apenas ele não errasse nunca;
- Reclama do trabalho, mas é o primeiro a fazer mais do que o necessário só para valorizar o próprio esforço;
Continua...
25 de novembro de 2006
O Tratado do Babaovismo 1
Então vamos lá.
O baba-ovo:
- Sempre acha que é uma pessoa legal;
- Sempre critica os outros ao mesmo tempo que diz que ninguém é melhor que ninguém;
- Se acha melhor do que você só porque consegue executar uma determinada tarefa melhor do que você;
- Nunca enxerga os próprios erros; e na maioria das vezes diz que seu erro foi provocado pelo erro de outrem;
- Chega antes dos outros só para acentuar sua própria pontualidade;
- Ensina algo para alguém, não para que seja esse alguém aprenda, mas para que possa dizer depois, caso a pessoa erre, que ele ensinou perfeitamente e a culpa é toda de quem errou; ou pelo contrário, se a pessoa aprende direito, o baba-ovo se gaba da competência alheia pelo simples fato de ter ele ensinado o serviço;
Continua...
23 de novembro de 2006
Natureza
20 de novembro de 2006
Consciência?
Eu não estou aguentando mais.
Onde estão as leis trabalhistas que permitem uma coisa dessas?
Assim não dá pra continuar.
14 de novembro de 2006
UM POETA QUE DESFOLHOU A BANDEIRA

No último dia 9 completou-se 62 anos do nascimento do poeta piauiense Torquato Neto, um dos maiores nomes do movimento tropicalista. Um jovem que foi jornalista, poeta, compositor e crítico musical; mas o que ele sempre quis ser era cineasta. Quis e não conseguiu. Teve problemas com o alcolismo, com a frustração de não ver realizados seus desejos e com a situação política e social do Brasil. Quase inacreditavelmente, na madrugada seguinte ao aniversário de 28 anos, Torquato se suicida em seu apartamento no Rio de Janeiro. Aqui vai um trecho do suscinto bilhete de despedida:
"... De modo q FICO sossegado por aqui mesmo enquanto dure. Ana é uma SANTA de véu e grinalda com um palhaço empacotado ao lado. Não acredito em amor de múmias e é por isso que eu FICO e vou ficando por causa de este amor. Pra mim chega! Vocês aí, peço o favor de não sacudirem demais o Tiago. Ele pode acordar."
É uma pena que um poeta tão talentoso tenha posto fim à própria vida; é uma pena que a mídia ignore solenemente sua participação fundamental no tropicalismo e na MPB de uma forma geral. Mas, aos poucos, esse grande gênio está sendo resgatado. Uma prova disso são as suas biografias:



E suas letras musicadas por vários artistas de vários segmentos da música popular brasileira. Bem, antes tarde do que nunca. Esse é um piauiense em que me vejo como reflexo, do qual tenho orgulho de chamar de conterrâneo e que me influênciou profundamente. Sua obra e sua memória tão cedo não será esquecida.
Você me chama
Eu quero ir pro cinema
Você reclama
E o meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente a madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
E se passou
Passou daqui pra melhor, foi
Só quero saber
do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder
12 de novembro de 2006
NOVO (VELHO) TRAMPO
Mais um árduo trabalho
Mais um fardo pesado
No pior dos horários
Por um mísero salário
Fazer o que se a vida é essa mesma. O jeito é ir atrás dos trocados, já que de gratis só esse ar poluído que respiramos. O outro lado não me atrai, então o jeito é lidar com o zé-povinho, os coxinhas e os bons companheiros na batalha diária pelo dinheirinho no fim do mês. A única coisa que me mantém seguindo em frente é a crença de que essa é apenas uma fase temporária(?); acreditar que haverá um futuro diferente(?), uma vida melhor(?). Por enquanto é enfrentar o bicho de frente e domá-lo com todas as forças possíveis.
Na luta. Sempre!
2 de novembro de 2006
FESTA DA CARNE-OFF-SINA
É carnaval antecipado;
Também ouvi uma nuvem de gritos,
E a cada ano dura mais o dia de finados.
29 de outubro de 2006
Vencedores e Perdedores


A verdade é que pouco importa qual partido ganhará as eleições. Os perdedores já sabemos que somos nós. É impossível deixar de se constatar que ambos os partidos não têm uma real definição sobre os assuntos que realmente nos interessam. Discutem programas e ações paliativas, não idéias e análizes profundas sobre o cerne das questões essenciais para o presente e para o futuro do país. Trocaram acusações, ofensas, insinuações, indelicadezas e ironias durante os debates e no fim ainda trocam apertos de mãos e sorrisos para os cinegrafistas e fotógrafos. É tudo um teatro político; e nós é que acabamos nos enervando e nos indignando com tudo que vemos, ouvimos e ficamos sabendo. A prática política nos ensina a cada dia que as maiores ações devem ser tomadas por nós mesmos, já que os políticos parecem querer se perpetuar junto com os problemas que eles próprios criaram e que alimentam para deles continuarem tirando proveito. Estamos reféns de um nocivo círculo vicioso que apenas irá se desfazer quando tomarmos uma atitude mais ativa e menos contemplativa e remungona. Por enquanto a coisa vai seguindo desse jeito aí, feita nas coxas.
24 de outubro de 2006
!!A HORA CERTA!!
É esperar pra ver, né?
19 de outubro de 2006
Fumo de Corda (conto)
9 de outubro de 2006
INDIGNAÇÃO
explode, tomado de revolta e exaltação,
e sem medir palavras, grita a plenos pulmões:
“No congresso nacional só tem ladrões;
todos são bandidos, sem exceção!” e eu digo
“Meu caro amigo, pera lá, vamos com calma,
Deles todos, creio que um ou outro se salva”
Mas a revolta do companheiro mais alto falaria.
De bate-pronto ele retrucou, sem que depois
eu pudesse argumentar; disse ele: “Cá entre nós dois,
um ou outro, numa democracia, constitui parca minoria
e ela, quase não tem serventia, senão a de atrapalhar.
Pode até não roubar, é fato, mas nada faz para impedir o peculato.
De uma forma ou de outra há roubo, não há como negar,
tanto dos que prevaricam quanto dos que deixam prevaricar”.

